Bolsa sobe, mas ainda requer cautela
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domingo, 24 de agosto de 2008
Fabricio Vieira<BR> FOLHAINVEST 
São Paulo- Após a Bovespa ensaiar uma recuperação na semana passada, muitos investidores podem ter ficado tentados a retornar ao mercado acionário, na expectativa de que o pior momento já tenha passado. Porém, analistas advertem que é cedo para se empolgar e que o cenário turbulento vai seguir incomodando por algum tempo.
Apoiada nos bons retornos proporcionados por ações de maior peso, como as da Petrobras e as da Vale, a Bovespa acumulou retorno de 2,96% na semana passada -um fundo de renda fixa levaria mais de dois meses para dar essa rentabilidade. Mas, como o cenário internacional ainda está conturbado, são elevados os riscos de oscilações bruscas no mercado acionário no médio prazo.
''Podemos até ver dias melhores, mas ainda é cedo para pensarmos em inversão de tendência. As expectativas ainda são negativas e vão permanecer assim por algum tempo'', afirma Mauro Halfeld, consultor financeiro e professor da Universidade Federal do Paraná.
O mundo ainda convive com muitas incertezas econômicas: há a ameaça inflacionária, o risco de crescimento mundial fraco e as perdas registradas pelo setor bancário dos EUA e da Europa, que parecem não ter chegado ao fim. ''A Bolsa é boa para quem pensa no longo prazo. Para quem quer especular, ainda pode ser cedo, pois há espaço para quedas adicionais.''
De qualquer forma, há quem defenda que muitas ações brasileiras estão baratas, devido às fortes quedas acumuladas pelo mercado. A Bovespa está com perdas de 6,15% neste mês. No ano, a desvalorização acumulada é de 12,58%.
Para André Mello, analista da corretora TOV, ''houve desvalorização exagerada de papéis como os de Vale, Petrobras e de siderúrgicas''. ''Há boas oportunidades no mercado neste momento'', diz.
A queda de ações da Vale no ano é bem superior à do Ibovespa -principal índice da Bolsa, que reúne as 66 ações mais negociadas. No caso dos papéis PNA da Vale, as perdas anuais estão em 24,28%; os papéis ON têm baixa de 26,16%.
Os papéis da Petrobras também estão com quedas mais expressivas que o Ibovespa: no ano, o PN já recuou 19,65%, e o ON perdeu 17,45%.
Mello adverte que é importante ter cuidado na hora de comprar ações em momentos mais turbulentos. ''É melhor apostar em ações de maior peso, como Petrobras e Vale, do que optar por companhias de menor tradição, que fizeram IPO mais recentemente. O setor elétrico também tem se mostrado interessante.''
Cenário ainda tenso
O que tem abalado a Bovespa é o cenário internacional, e não problemas com a economia ou as empresas brasileiras. Com a turbulenta cena externa, investidores estrangeiros têm se desfeito de ações de companhias brasileiras para cobrir rombos em suas carteiras lá fora ou adquirir papéis depreciados na Bolsa de Nova York.
Entre junho e julho - os dois piores meses da história nesse quesito-, as vendas de ações brasileiras pelos estrangeiros superaram as compras em cerca de R$ 15 bilhões.
Neste mês, o ritmo de saída de capital externo diminuiu, mas não foi estancado. Até o dia 19, o balanço das operações dos estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo estava negativo em R$ 2,1 bilhões.
Como os estrangeiros respondem por 35% das operações realizadas na Bolsa, essa fuga acabou por afetar diretamente o resultado do mercado local.


