Ibovespa tem alta de 3,80%,
embalado por cenário eleitoral
Os investidores do mercado brasileiro de ações promoveram uma corrida às compras nesta terça-feira (2) e levaram o Índice Bovespa a uma alta expressiva, embalada pelo cenário eleitoral. O inesperado aumento de 4 pontos porcentuais nas intenções de voto do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) captado pela pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo foi o principal assunto do dia e se sobrepôs ante todos os outros fatores em segundo plano. Com o mercado mais confiante na vitória de um candidato alinhado a uma agenda reformista, o Ibovespa fechou aos 81.612,28 pontos, com alta de 3,80%. Foi a maior pontuação desde 22 de maio de 2018 e maior variação porcentual desde 7 de novembro de 2016 (+3,98%).


Estatais tiveram dia
de forte valorização
Os negócios somaram R$ 16,6 bilhões, bem acima da média das últimas semanas, de R$ 9,6 bilhões. Das 65 ações da carteira do Ibovespa, apenas 3 fecharam em queda, todas elas de empresas exportadoras, negativamente impactadas pela queda do dólar ante o real. Na ponta oposta estiveram os papéis de empresas estatais, principais termômetros da percepção de risco político no mercado de ações. As maiores altas do Ibovespa ficaram com Eletrobras ON (+11,45%) e Banco do Brasil ON (+11,41%). Petrobras ON e PN avançaram 6,74% e 8,67%, respectivamente. No setor financeiro, outro termômetro da percepção de risco, se destacaram Santander (+7,44%) e Bradesco ON (+6,93%). Vale ON, ação de maior peso individual do Ibovespa, avançou 1,32%.

Dólar recua 2,47 e fecha no
menor valor desde 17 de agosto
O dólar caiu 2,47% e fechou em R$ 3,9304. Foi o nível mais baixo desde 17 de agosto (R$ 3,9142) e a maior queda diária desde 8 de junho, quando caiu 5,35% após o Banco Central e o Tesouro anunciarem ação conjunta para conter a disparada do câmbio. O real foi a segunda moeda que mais ganhou valor nesta terça ante o dólar, atrás apenas do peso argentino. As eleições foram o principal motor do comportamento do câmbio, com as mesas de operação repercutindo os resultados da pesquisa eleitoral do Ibope, que mostrou o candidato Jair Bolsonaro (PSL) subindo quatro pontos e Fernando Haddad (PT) sem oscilar e ainda com aumento de sua taxa de rejeição. No exterior, o risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), derivativo de crédito que protege o investidor contra calotes na dívida soberana, caiu 5%, para 252,12, o menor desde 20 de agosto.

Taxas de juros têm queda
expressiva a longo prazo
Os juros futuros terminaram a sessão regular desta terça-feira em queda, que foi bastante expressiva nos contratos de longo prazo, em função da melhora na perspectiva do investidor para o cenário da corrida presidencial. Numa sessão de volume robusto de contratos, as taxas longas terminaram com queda em torno de 20 pontos-base. A do DI para janeiro de 2023 encerrou em 10,83%, de 11,024% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 11,653%, de 11,43%. Nos demais, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 8,18%, de 8,246% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 9,526% para 9,39%. Enquanto o mercado doméstico tem comemorado a possibilidade de Bolsonaro vencer a eleição presidencial, os investidores estrangeiros estão se mostrando mais preocupados com essa possibilidade.

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