Bolsa sobe 22,3% e lidera ranking de aplicações
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Como já havia ocorrido em março, abril e maio, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) liderou o ranking de investimentos no País em junho, com valorização de 4,06%. No semestre, a Bolsa também ocupou o primeiro lugar, com alta acumulada de 22,3%, bem à frente do segundo colocado, os fundos de renda fixa, que subiram 5,16% no período. A lanterna em junho ficou com o ouro, que perdeu 3,41%. E, no semestre, com o dólar paralelo, que apresentou desvalorização de 11,86%.
Analistas dizem que a tendência para o segundo semestre é semelhante, mas com uma diferença importante: deve haver mais volatilidade, por causa das incertezas envolvendo a liquidez mundial - o dinheiro de estrangeiros tem sido o principal combustível para as sucessivas altas da Bovespa. Para o economista Azenil Staviski, professor da Universidade Estadual de Londrina, a Bolsa tem surpreendido com as fortes altas. Na sua avaliação, para o próximo semestre não há indicadores macroeconômicas que possam reverter a tendência de alta da Bovespa.
''As perspectivas são boas porque a economia brasileira está crescendo e isso tem atraído investidores estrangeiros para os fundos de renda variável. Além disso, as agências de risco também têm melhorado os indicadores do Brasil'', informa Staviski. No entanto, ele acrescenta que as bolsas têm apresentado valorização em todo o mundo e que, em alguns casos, o crescimento dos valores nominais dos títulos podem não acompanhar o crescimento do capital da empresa. ''Depois vai acontecer um ajuste automático'', comenta.
Já os fundos de renda fixa têm um dos juros mais altos do mercado em termos de remuneração. ''São mais seguros do que os fundos de renda variável'', explica o economista. Sobre a queda do ouro, ele afirma que o metal não acompanha as tendências de movimento das bolsas e dos fundos. ''Em períodos de crise da bolsa e dos fundos o ouro pode valorizar'', diz. O mesmo comportamento tem o dólar. ''Com a entrada de dólares no País, em função, os fundos de rendas variável e fixa e do desempenho da balança comercial a tendência é que o dólar caia'', explica. Para este ano, a estimativa é que a cotação da moeda americana fique em torno dos R$ 1,90.
Juros - A expectativa dos especialistas é de que a taxa básica de juros nos Estados Unidos seja mantida no nível atual, de 5,25% ao ano. Em compensação, a política monetária deve ficar mais apertada na Europa, na Inglaterra e no Japão. Nesse cenário, o investidor internacional tende a ser mais cauteloso. ''O cenário é de continuidade, mas é preciso ter atenção ao cenário externo mais volátil'', disse Marcelo Assalin, diretor de Investimentos da Sul América Investimentos.
''O desenrolar da crise dos fundos de hedge que tiveram problemas com créditos do setor imobiliário (nos Estados Unidos) também pode afetar o humor do mercado'', acrescentou o administrador de investimentos Fabio Colombo. Assalin acredita que, mesmo nesse ambiente, há espaço para o Índice Bovespa alcançar 60 mil pontos em dezembro (atualmente está em 54.390). (Com Agência Estado)


