Bolsa sobe 2% com recuperação de Trump e expectativa de Renda Cidadã dentro do teto


JÚLIA MOURA
JÚLIA MOURA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A expectativa de que o Renda Cidadã, substituto do Bolsa família, fique dentro do teto de gastos e a recuperação do presidente americano Donald Trump, em tratamento contra a Covid-19, gerou alívio aos investidores nesta segunda-feira (5) e impulsionou a valorização do real e de mais de 2% da Bolsa.

Segundo o senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento de 2021 e da proposta do Pacto Federativo, qualquer solução para criar o Renda Cidadã vai respeitar o teto de gastos e ter a chancela do ministro Paulo Guedes (Economia).



O senador, no entanto, não comentou se o possível uso de precatórios (dívidas judiciais) foi abandonado.

"O que posso dizer é que é dentro do teto. Todos estamos estudando para que a gente apresente a proposta. A ideia é apresentar na quarta pela manhã dizendo dentro do Orçamento de onde vamos tirar", disse nesta segunda.

Bittar também disse que pediu ajuda na semana passada ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre a criação do programa. E que Maia concorda integralmente com a visão da equipe econômica.

A fala do senador contribui para a maior queda diária do dólar em cinco semanas, de 1,65%, a R$ 5,57. O turismo está a R$ 5,71.

Na sessão, o real foi a moeda emergente que mais se valorizou no pregão, marcado pela desvalorização internacional do dólar.

"Os temores do mercado com relação ao furo do teto de gastos e uma guinada para esquerda do governo, indo contra a cartilha apresentada por Guedes, foi mitigado. Agora é preciso uma resposta efetiva do governo, como o avanço da agenda de reformas, para, por exemplo, o prêmio da curva de juros ser devolvido e justificar um maior alívio com relação ao rumo do fiscal", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Já o Ibovespa fechou em alta de 2,2%, a 96 mil pontos, maior valor desde 25 de setembro, puxado pela forte valorização da Petrobras e pelo ganho das Bolsas no exterior com a expectativa de alta de Trump e com um possível acordo entre republicanos e democratas para a aprovação de um novo pacote de ajuda econômica para os EUA.

Trump anunciou por meio das redes sociais que deixará o hospital militar Walter Reed, onde está internado para tratar da infecção por coronavírus, nesta segunda, o que levou a uma alta de 1,8% no S&P 500, de 1,7% no Dow Jones e de 2,3% na Nasdaq.

As ações da Regeneron Pharmaceuticals tiveram ganho de 6,3%, depois de o médico de Trump dizer que ele havia sido tratado com uma dose intravenosa do tratamento duplo de anticorpos da Regeneron.

Também nesta segunda, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse que ainda há potencial para se chegar a um acordo com parlamentares dos EUA sobre mais ajuda fiscal contra os efeitos econômicos causados pelo coronavírus e que Trump estava empenhado em chegar a um acordo.

O petróleo subiu com o cenário positivo. Ao fim do pregão, o barril de petróleo Brent (referência internacional) se recupera da forte queda com o diagnóstico do presidente dos EUA na semana passada e tem ganhos de 5,6%, a US$ 41,48.

A valorização da matéria-prima puxou as ações da Petrobras. As preferenciais (mais negociadas) subiram 5,3%, a R$ 20,03, e as ordinárias (com direito a voto), 4,9%, a R$ 20,12.

A PetroRio teve alta de 6,6%, a R$ 36,53.

Outro fator positivo para o mercado brasileiro foi a alta do setor de serviços, que voltou a crescer em setembro depois de seis meses de retração, diante da reabertura das empresas após o relaxamento das medidas de contenção ao coronavírus, conforme dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

Analistas do Bank of America continuam observando melhora na atividade no Brasil, especialmente no setor imobiliário.



Dentre os destaques da Bolsa brasileira na sessão, está o IRB, que saltou 6,9%, a R$ 8,65, após a empresa de resseguros anunciar que antecipará a divulgação de resultados do terceiro trimestre para 3 de novembro.

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