Embora não tenha convencido, a alta de 1,96% no fechamento da Bolsa de São Paulo foi suficiente para pôr fim a sete pregões de baixas consecutivas. A valorização da Bolsa paulista ignorou a queda da Bolsa de Nova York, que encerrou os negócios com perda de 114,31 pontos ou 1,40%, e refletiu aparentemente também uma melhora de desempenho das Bolsas européias e latino-americanas. O volume negociado recuou 5,5% em relação ao anterior, de R$ 572,600 milhões, na quinta-feira, para R$ 541,041 milhões.
O fechamento em alta não indica uma reavaliação do cenário internacional de crise, que permanece, embora a Bolsa da Rússia, o principal foco de inquietação, tenha fechado com valorização de 5,65%, em pregão que movimentou apenas US$ 2,2 milhões. Um volume considerado minúsculo se comparado com o giro médio de US$ 20 milhões a US$ 40 milhões de antes da crise.
A Câmara Baixa do Parlamento russo deve aprovar na segunda-feira o nome de Chernomyrdin como primeiro-ministro e a expectativa é que alguma medidas sejam anunciadas para que se tente colocar a economia russa nos eixos. Entre outras dúvidas, pode ficar mais claro o sistema a ser adotado pelo governo russo para a flutuação do rublo.
Outras referências para os mercados domésticos, na próxima semana, será tendência das ações na Bolsa de Nova York e o comportamento das cotações dos títulos da dívida externa renegociada. Uma possível continuidade de queda do mercado nova-iorquino ou dos papéis da dívida pode agravar a percepção de risco nos chamados mercados emergentes, incluído o Brasil. Os C-Bonds, o principal título da dívida externa brasileira, esboçaram recuperação, depois da forte baixa para 49 centavos de dólar no dia anterior. A cotação subiu 7,65%, para 52,75 centavos de dólar.
Internamente, o mercado deve acompanhar o fluxo cambial, ou seja, o saldo apurado pela diferença entre entrada e saída de dólares. Um déficit cambial persistente, pela ampliação de remessa de divisas, pode fortalecer as inquietações. Outro ponto de interesse será a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, que vai definir a nova Taxa Básica do Banco Central (TBC). O mercado aposta na continuidade de queda dos juros e prevê que a TBC recue de 19,75% ao ano para para 19%. A maioria das Bolsas internacionais fechou em baixa ontem, embora menores que as acenadas no início dos negócios do dia. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio recuou 3,46%, para 13.792,76 pontos, o nível mais baixo desde março de 1986. Entre as européias, a de Londres caiu 2,2%; a de Frankfurt, 1,32%. Na america-latina, a Bolsa do México fechou com alta de 3,22% e a de Buenos Aires, 0,97%.

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