Depois de uma semana nervosa, o mercado brasileiro viveu ontem um dia de calma, graças, principalmente, ao bom desempenho das Bolsas no exterior. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou o pregão em alta de 6,06%, a maior registrada desde 15 de março. O dólar comercial caiu 1,73% em relação a anteontem, fechando o pregão cotado a R$ 1,702 (para venda). O dólar médio do Banco Central caiu 1,68%, também em comparação com anteontem, fechando em R$ 1,7186.
Os C-Bonds, títulos brasileiros mais comercializados no exterior, repetiram a performance de ontem e voltaram a registrar alta, de 3,83%. Fatores externos e internos somados foram os responsáveis pelo bom desempenho do mercado.
As gravações envolvendo o presidente Fernando Henrique Cardoso no processo de favorecimento de um dos grupos participantes do leilão da Telebrás foram minimizadas. Anteontem, a Bolsa caiu 4,95% em São Paulo, devido, em boa parte, à divulgação das gravações.
Segundo alguns analistas, dificilmente será instalada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a operação. A ofensiva da tropa governista, que defendeu o presidente em peso, foi considerada satisfatória.
Operadores previam ontem que o ministro Pedro Malan (Fazenda) pode sair fortalecido do episódio. Ele (da ala ‘‘monetarista’’) vinha travando uma batalha com Luiz Carlos Mendonça de Barros (do grupo chamado ‘‘desenvolvimentista ). Como o último é um dos protagonistas das gravações, deve perder espaço político. Na semana passada, circularam boatos de que o ministro estaria demissionário.
O anúncio de deflação de 0,19% nos últimos 30 dias em São Paulo, registrada pela Fipe (leia ao lado), foi interpretado com otimismo. A inflação está caindo em um ritmo maior do que o esperado pelo mercado.
O ‘‘efeito Argentina - preocupação com problemas econômicos argentinos - foi reduzido ontem. O índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, registrou alta de 4,31%. Mesmo assim, a Argentina preocupa. Qualquer sinal de instabilidade pode ter reflexos no Brasil.
Em Nova York, o anúncio, feito pelo governo dos EUA, da queda dos pedidos de bens duráveis no país sinalizou um desaquecimento na economia - condição para que as taxas de juros internas não sejam aumentadas. O índice Dow Jones subiu durante todo o dia, fechando o pregão em alta de 1,62%. A Bovespa seguiu o mesmo caminho.
Com a diminuição da percepção de risco nos países emergentes e sem a perspectiva de aumento nos juros nos EUA, os títulos de dívida brasileira voltaram a subir, e os investidores externos voltaram à Bolsa. Os papéis estavam mais baratos por causa das recentes quedas na Bovespa. O mercado apresentou um grande ingresso de dólar, forçando a baixa no valor da moeda norte-americana.

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