Bolsa repete desempenho e é mais rentável do mês
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Agência Estado 
SÃO PAULO - As Bolsas de Valores retomaram a dianteira dos investimentos mais rentáveis em novembro, com valorização de 2,03% em São Paulo. Mas sem grande vantagem sobre as aplicações de renda fixa. O CDB para aplicações acima de R$ 100 mil, segundo colocado no mês, rendeu 1,52%.
Preocupações com o sucessivos e ampliados déficits na balança comercial, um dos fatores que deprimiram o mercado de ações no mês que acaba, tendem a permanecer influenciando o comportamento das ações em dezembro.
Ninguém arrisca palpite sobre a tendência das Bolsas. A participação do capital estrangeiro nos pregões permanece discreta, também por causa da proximidade de vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), comentam analistas. Investidores externos estariam preferindo comprar ADRs (recibos) de Telebrás em Nova York como opção para fugir da CPMF em movimentações domésticas a partir de 1997.
A participação dos papéis de Telebrás no volume total da Bolsa paulista recuou da média de 70% para abaixo de 50% nas últimas semanas. Incertezas sobre o destino dos recibos de subscrição emitidos em 1990 também têm reduzido o interesse pelos papéis da estatal de telecomunicações. O período de festas, em geral, esvazia os negócios nas Bolsas.
Se existe indefinição nas Bolsas, as cadernetas de poupança prometem chegar ao pico de rendimento em dezembro. Favorecida pelo corte mais vigoroso no redutor que poda o juro real da taxa de CDBs, para o cálculo da Taxa Referencial (TR), a caderneta estará com o rendimento emparelhado com o dos fundos de 60 dias.
Um eventual aumento na procura por dólar pode pressionar as cotações no câmbio negro. O interesse pelo dólar cresce tradicionalmente em dezembro por quem não quer ou não pode expor o dinheiro supostamente ao fisco na virada do ano. Mas o risco de perda é altíssimo porque, historicamente, a desova de dólares nos primeiros meses do ano faz despencar os preços.


