Bolsa promete 'reação' no 2º semestre
Agência Estado
De São Paulo
O cenário projetado pelo sócio-gerente da BankBoston Asset Management, Fábio de Oliveira, ainda privilegia a aplicação de renda fixa, mas com uma destinação gradual de recursos para o investimento em ações. A Bolsa acena com um desempenho positivo para daqui a seis meses ou um ano, segundo ele. Até lá, o governo deve retomar o vigor do processo de reformas econômicas, momentaneamente posto em segundo plano para a adoção de outras medidas para atender a questões na área social. Aí seria bom para as ações.
A morosidade no andamento das reformas não deve comprometer a meta de equilíbrio nas contas públicas neste e no próximo ano. A reforma, se não andar, só passará a afetar o ajuste fiscal a partir de 2001.
Ele prevê também uma acomodação de expectativas em relação à Bolsa e aos juros nos EUA. Segundo Oliveira, a correção técnica da Bolsa de Nova York já ocorreu na maior parte. A taxa de juro de curto prazo, no entanto, tende a subir ligeiramente, porque o risco de inflação persiste. Uma ação preventiva do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) é esperada e deve ser aprovada pelo mercado, para evitar um possível tranco nos juros depois, se o processo de alta da inflação não for contido.
A aceleração inflacionária na economia doméstica não faz parte do cenário projetado pelo sócio-gerente da BankBoston Asset Management. O risco existe apenas se a alta do dólar não for controlada.
Ele aponta, como barreira contra a escalada da inflação, a capacidade ociosa da economia e o desemprego, explicando ainda que as saídas de dólar, que alimentam a alta das cotações e, por tabela, podem pressionar a inflação, são circunstanciais, entre outubro e dezembro. O dólar deve ficar flutuando entre R$ 1,95 e R$ 2,00 até o fim do ano.
Passada a fase de maiores saídas, o dólar tende a desvalorizar-se diante do real, no próximo ano. É quando a pressão inflacionária mais baixa e o real em valorização devem levar a uma retomada de queda mais acentuada das taxas básicas de juros. Até lá, o juro básico deve ser mantido em 19% ao ano, acredita. Um cenário em que o investidor pode permanecer num fundo de renda fixa ou DI e aproveitar a liquidez diária, sem IOF, para deslocar gradativamente parte dos recursos para o mercado de ações.





