Arquivo FolhaSérgio Motta: desta vez, declarações agradaram ao mercadoAs Bolsas de Valores reforçaram a alta nesta virada de mês. Dado mais animador, amparadas por forte expansão do volume de negócios. Em apenas três pregões de outubro, a Bolsa de São Paulo acumula rentabilidade nominal de 6,30%, que é também a do Rio. A aceleração dos preços e a ampliação do movimento financeiro, para R$ 1,160 bilhão em média nos primeiros pregões do mês, traduzem a retomada de compra de ações pelo capital estrangeiro.
O interesse dos investidores pelas ações nas Bolsas domésticas reflete melhora no cenário internacional, após a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Hong Kong. A análise é de Eduardo da Rocha Azevedo, diretor-presidente da Corretora Convenção e ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo. Ele comenta que o temor de uma crise cambial no País, idêntica à que abalou os países asiáticos, que afugentou o capital estrangeiro foi, senão afastado, suavizado.
O apetite de compra do investidor externo foi alimentado também pelas novidades na privatização do sistema Telebrás, antecipadas informalmente pelo ministro Sérgio Motta, das Comunicações. O mercado reagiu positivamente às declarações do ministro, mas alguns pontos do modelo de venda ainda precisam ser definidos para que fique clara a situação dos acionistas minoritários de Telebrás e estatais de telecomunicações dos Estados, por exemplo.
Embora os fundos de investimento em renda variável tenham interrompido as vendas e alguns deles tenham retomado discretamente a compra de ações, Rocha Azevedo entende que apenas a compra do capital estrangeiro pode dar sustentação à valorização das Bolsas. À medida que o mercado persistir colecionando altas seguidas, ‘‘os fundos de ações devem voltar a comprar, mas não em grandes volumes como no primeiro semestre’’, prevê.
A perspectiva, tudo indica, é de que pequenos e médios investidores repitam mais uma vez a prática de comprar na alta e vender na baixa. O diretor da Convenção atribui essa conduta à falta de conhecimento do mercado de ações. ‘‘O investidor não tem a percepção de que em geral as cotas dos fundos não oscilam de acordo com a variação do Índice Bovespa (IBovespa)’’, comenta. Além disso, a maioria deles está com recursos fincados também nos mercados futuros para proteger-se contra os solavancos dos preços à vista. É condição necessária ainda, para uma rentabilidade atraente, que o investimento tenha perspectiva de longo prazo, e não de um mês, por exemplo.

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