O dia foi dramá tico para a Bolsa paulista. O Ibo vespa despencou 7,26%, para 10.306 pontos, menor nível desde 23 de agosto de 1999. O volume financeiro somou R$ 412 milhões. No mês, o índice já acumula perda de 19,74%. O Ibovespa futuro recuou 7,44%, para 10.320 pontos, marginalmente acima do índice à vista. Sem liquidez, o mercado foi alvo fácil principalmente de investidores estrangeiros, que se desfizeram de seus papéis a qualquer preço. O pano de fundo para tamanho nervosismo foi a percepção de que uma recessão global será iminente depois dos ataques terroristas em Nova York e Washington.
O mercado brasileiro também está apavorado com a reação da Bolsa de Nova York, quando reabrir na segunda-feira. ''A confiança lá está a zero'', disse uma fonte referindo-se à matriz norte-americana da instituição onde trabalha.
As ações preferenciais e ordinárias da Embraer voltaram a ser surradas pelo mercado. Despencaram 16,68% e 16,43%, respectivamente. A companhia informou que suas entregas de aviões, para os diversos clientes no mundo, ''permanecem conforme o previsto, exceto aquelas para empresas norte-americanas, momentaneamente, em razão da paralisação dos vôos nos EUA que está impedindo a vinda dos seus pilotos''.

O governo brasileiro também voltou a agir de forma agressiva para interromper a sequência de altas do dólar. A oferta extra de um grande lote de títulos cambiais surpreendeu o mercado. Resultado: o preço do dólar recuou mais de 3% em poucos minutos.
A pressão sobre o preço do dólar foi intensa desde a abertura dos negócios. Quando o Banco Central decidiu intervir, a moeda norte-americana já era cotada a R$ 2,744. A ação do Banco Central conseguiu fazer a moeda dos EUA recuar, depois de cinco dias seguidos de altas. Vendido a R$ 2,66, o dólar encerrou o dia com 0,82% de queda.
Com as incertezas no mercado quanto aos estragos que os ataques aos EUA causarão na economia mundial, a ordem é comprar dólares. Mas ninguém está disposto a vendê-los. Assim, o valor do dólar sobe ''no vazio'', quase sem negócios fechados.
Com a operação de ontem, subiu para R$ 15,76 bilhões o total de títulos públicos que o BC vendeu neste ano para impedir uma maior desvalorização do real. Hoje, o BC fez dois leilões de papéis cambiais.

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