Bolsa pára em protesto contra cobrança da CPMF
Bolsa pára em
protesto contra
cobrança da CPMF
Caio Guatelli/Agência EstadoDe bandejaOperadores cruzaram os braços ontem: Nosso mercado está sendo exportado para os EUA
Agênica Folha
Aproximadamente 430 operadores paralisaram suas atividades na Bolsa de Valores de São Paulo, ontem, entre as 11h e as 11h30. A manifestação foi um protesto contra a cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Os operadores distribuíram cópias de um manifesto contrário ao tributo de 0,38% sobre as operações financeiras.
Eles usavam braçadeiras negras contra a CPMF e ergueram três faixas, com fundo preto e letras brancas, com os dizeres: Assim não dá para competir, Não podemos sepultar o mercado brasileiro e O meu, o seu, o nosso emprego estão em jogo.
Desde o início da cobrança da CPMF, em 17 de junho, caiu o volume financeiro da Bolsa. Os investidores estrangeiros passaram a operar no mercado norte-americano, para fugir do tributo. De junho para julho, a média do volume financeiro na Bolsa caiu 23,5% (de R$ 651,505 milhões para R$ 498,360 milhões). De maio (último mês em que não houve incidência de CPMF em nenhum pregão) para julho, o recuo foi de 31,36%.
Há 66 ADRs (recibos de ações brasileiras) sendo negociados no exterior. Os negócios com ADRs brasileiros em Nova York subiram aproximadamente cinco vezes de junho para julho. Estamos entregando de bandeja o que levamos 35 anos para construir. Nosso mercado está sendo exportado para os EUA, onde comercializar ações brasileiras está oito vezes mais barato do que aqui, disse Claudemir Cunha, membro do Conselho dos Operadores da Bovespa.
Segundo ele, a CPMF já foi responsável pela demissão de 60 operadores (cerca de 15% da mão-de-obra), pelo fechamento de três corretoras e pelo afastamento do investidor estrangeiro. Estamos tentando sensibilizar o governo e mostrar os malefícios que a tributação vem causando ao mercado de ações. Não é um problema exclusivo dos operadores, é do País, disse Laércio dos Santos, do Conselho dos Operadores da Bovespa.
Os operadores querem que o governo elimine a CPMF para os investidores estrangeiros. Ou que crie uma CPMF intermediária para todo o mercado de ações (algo em torno de 0,20%).
Na quinta-feira, o presidente da Bovespa, Alfredo Rizkallah, irá para Brasília encontrar o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Iremos conversar sobre a melhor forma de tentar corrigir esse equívoco, disse Rizkallah. As pessoas que criaram a CPMF não tinham a intenção de enfraquecer o mercado, mas não levaram em conta o efeito que ela está tendo. A permanência do tributo vai deteriorar o crescimento nacional. Não estão previstos novos protestos na Bolsa.





