Arquivo FolhaOs prefixadosInvestidor deve manter apostas em fundos e CDB, segundo analistas
Com os juros ainda elevados e um quadro de acentuada instabilidade nas Bolsas, as aplicações de renda fixa são a melhor opção para o investidor no momento, segundo o diretor de Análise Econômica do Banco BMC, Marcelo Allain. Para ele, o melhor é dar preferência a fundos e CDBs, embora entenda que não seja o caso de abandonar as Bolsas de Valores.
A difícil situação da Rússia e a perspectiva de continuidade de desvalorização do iene, a moeda japonesa, trazem insegurança aos mercados emergentes. Há o temor de que haja uma nova rodada de desvalorização das moedas asiáticas, o que poderia afetar a economia mundial.
Um fator que pode prejudicar o Brasil em caso de agravamento do cenário externo é a situação delicada das contas públicas. O déficit fiscal é visto com desconfiança pelos investidores estrangeiros, que o consideram um dos principais problemas do Plano Real. Desse modo, ainda que o preço de muitas ações esteja atraente, o fluxo de capital externo para as Bolsas, fundamental para a recuperação das cotações, deve ser pouco expressivo nos próximos meses.
Na semana passada, houve a divulgação do preço mínimo para a privatização do sistema Telebrás. Os valores ficaram dentro do que esperava o mercado, e não chegaram a ter maior influência nos pregões .
A incerteza em relação à eleição presidencial é um dos motivos que tendem a acirrar a instabilidade das Bolsas, diz Allain. Há alguns meses, o mercado trabalhava com a perspectiva de que o presidente Fernando Henrique Cardoso seria reeleito sem grandes dificuldades, o que, para os investidores, se traduziria em continuidade da política econômica. Mas as últimas pesquisas eleitorais indicam queda do presidente e ascensão do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando o grau de dúvida em relação ao resultado da eleição de outubro. Nas Bolsas, isso tende a causar mais instabilidade O cenário externo, por sua vez, não é dos mais animadores.
Allain diz que o juro real permanece bastante alto: a TBC, considerada o piso das taxas, está em 21,75% ao ano, enquanto a inflação média estimada para este ano é de 3%. Além disso, ele entende que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), deverá manter os juros nos atuais níveis na reunião marcada para o dia 24.
O diretor do BMC acredita que os fundos prefixados são os mais indicados agora. Segundo Allain, a possibilidade de elevação dos juros (caso em que aplicações prefixadas são prejudicadas) nos próximos meses existe, mas é hipótese pouco provável.
Assim, ainda que os fundos atrelados à variação do CDI (título trocado por bancos) sejam mais seguros, por acompanhar a oscilação dos juros, ele recomenda que o investidor destine a maior parte de seu dinheiro para aplicações prefixadas, que tendem a oferecer melhor rendimento.

mockup