Bolsa mantém indefinição no curto prazo
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segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O comportamento das Bolsas de Valores no curto prazo tende a continuar indefinido. Depois de subir 22,48% em novembro, o Índice Bovespa (IBovespa) passou a oscilar fortemente nos primeiros pregões deste mês. A rejeição, pela Câmara, da MP dos servidores no dia 2 deixou o mercado cauteloso quanto à possibilidade de adoção do programa de ajuste fiscal pelo Brasil. Como resultado, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) passou a movimentar baixo volume de recursos, indicando que apenas os investidores que atuam no day-trade, comprando e vendendo ações em prazos curtos, estão atuando nos pregões. O capital estrangeiro, que reapareceu em novembro, voltou a ausentar-se. E, sem esse dinheiro, os mercados acionários domésticos não têm como subir de forma consistente.
O sócio-diretor do Banco Rendimento Marcelo Steuer entende que o capital estrangeiro retornará ao País quando diminuir o grau de incerteza em relação ao programa fiscal. Ele diz que os investidores vão ficar de olho no comportamento da balança comercial, do fluxo de dólares e do quadro fiscal. Se esses indicadores apresentarem melhora e o ambiente político e social estiver sustentável, o capital externo pode voltar às Bolsas brasileiras e isso desde que o ambiente econômico externo também esteja tranquilo.
O diretor de Asset Management do Credibanco, Fábio Colombo, afirma que o capital estrangeiro só deve voltar com mais apetite para os pregões brasileiros no segundo semestre do ano que vem. Segundo ele, o investidor externo costuma esperar a confirmação dos fatos, para só então decidir pela aplicação efetiva dos recursos. Assim, esse capital deve aguardar a aprovação das medidas de ajuste fiscal e o monitoramento pelo FMI da adoção do programa antes de efetivamente retornar às Bolsas brasileiras.
Colombo não acredita que o comportamento das Bolsas seja afetado pelo resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira. Embora juro elevado seja desfavorável ao investimento em ações, ele diz que no Brasil não há, historicamente, relação direta entre o nível do juro e o desempenho das Bolsas.


