São Paulo - Se o investidor se focar apenas no desempenho recente do mercado financeiro, a Bolsa de Valores vai receber uma forte leva de recursos. Isso porque em agosto o mercado acionário bateu de longe as outras aplicações financeiras. O Ibovespa principal índice da Bolsa paulista subiu 7,69% em agosto. O CDI (referência para fundos DI e de renda fixa) rendeu cerca de 1,65% no mês. O dólar, que ameaçava voltar a subir, encerrou agosto com baixa de 0,92%. Somente ontem o dólar caiu 1,13%, para R$ 2,358.
Em julho, a Bovespa já havia se destacado, subindo 3,96%.
O resultado conseguido por quem investiu em ações varia muito: há papéis que sobem mais que outros em determinado período, além dos que caem. O investidor que aplicou nas ações da Petrobras, por exemplo, não tem do que reclamar. A ação PN da empresa disparou quase 20% no mês - boa notícia para quem aplicou parte de seu FGTS na Petrobras. Para André Castro, gestor de renda variável da Sul América Investimentos, ''quem apostou em Petrobras se deu bem no mês''. ''A expectativa é a de que a empresa reajuste seus preços'', diz, devido às elevações do produto no mercado internacional.
Mas o analista adverte: apesar do bom momento da Bovespa, turbulências novas no cenário político e na economia internacional podem trazer volatilidade ao mercado de ações.
No caso do aguardado período de reduções na taxa básica da economia - que, espera-se, começará em setembro -, seu efeito sobre a Bolsa de Valores não deve ser muito impactante. Em tese, quando os juros recuam, o mercado acionário recebe mais investidores, descontentes com a menor rentabilidade oferecida por fundos que acompanham as taxas (como a renda fixa). ''Mas ninguém acredita que haverá cortes mais fortes na Selic. As quedas que ocorrerão daqui para o fim do ano não devem surpreender o mercado'', diz Castro.
Ontem a Bovespa teve alta de 1,60%. O crescimento do PIB no teto das projeções ajudou a dar ânimo ao mercado. Se a economia está mais forte, a empresas tendem a ter bons resultados, o que beneficia os detentores de suas ações. O volume financeiro da Bolsa hoje, de R$ 1,9 bilhão, foi um dos melhores do mês.
Apesar de o mercado de ações ter dado o melhor retorno do último mês, os fundos atrelados aos juros são o destaque no ano. Com as altíssimas taxas praticadas no país, os fundos DI (que carregam títulos que acompanham os juros) têm rentabilidade média de 12,48% em 2005. A Bovespa tem alta de 7,06% no ano. Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que também são favorecidos pelos juros altos, deram retorno de até 12,47% no ano.
Juros - Para os mais pessimistas, o fato de a economia brasileira ter crescido mesmo com o país tendo os maiores juros reais (descontada a inflação) do mundo poderia servir de justificativa para o Banco Central adiar ainda por mais tempo o início do processo de cortes da taxa Selic, que está em 19,75%.
As projeções futuras para os juros oscilaram ontem entre a estabilidade e pequenas altas nos contratos negociados na BM&F. No Depósito Interfinanceiro (DI) que vence no meio de 2006, a taxa foi de 18,41% para 18,44%.

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