São Paulo - A Bolsa de São Paulo foi o investimento mais rentável no ano, com valorização de 27,71%. Foi o terceiro ano consecutivo de liderança das ações. Em 2003, a Bolsa paulista acumulou alta de 97,34% e em 2004, de 17,81%. Neste mês, embora tenha batido seguidos recordes em número de pontos, a bolsa ficou em terceiro lugar no ranking, com valorização de 4,82%, atrás do ouro, que acumulou alta de 9,66%, e do dólar comercial, de 5,44% - o bom desempenho do ouro em dezembro refletiu a valorização de preço do metal no mercado internacional e o da moeda americana a atuação do Banco Central nos mercados futuro e à vista de dólar.
O investidor que em 2005 insistiu em aplicações conservadoras, remuneradas por juros, também foi contemplado com atraente rendimento. A mais rentável na renda fixa foram os CDBs para valores acima de R$ 100 mil, com ganho médio bruto de 19,41%, seguidos de perto pelos fundos DI, com 19,05%, e fundos de renda fixa, com 18,69%.
Em ano que a renda fixa tirou proveito da elevação da taxa básica de juros, até a caderneta de poupança, com rendimento de 9,17%, sustentou amplo juro real, acima da inflação de 1,21% do IGP-M no ano.
Depois de acumular uma variação negativa de 4,37% no primeiro semestre, a Bolsa ganhou mobilidade no segundo. ''A Bolsa retomou a valorização quando se constatou que a inflação estava sob controle e o juro poderia cair'', diz Mário Carvalho, vice-presidente sênior de Fundos de Investimento do banco WestLB do Brasil.
A aceleração da Bolsa foi puxada pelas compras de estrangeiros. O saldo positivo de capital externo no ano saltou de R$ 498,853 milhões no fim do primeiro semestre para R$ 5,380 bilhões até 20 de dezembro. Carvalho aposta na continuidade do fluxo, porque os fundamentos da economia brasileira estão bons e a liquidez internacional está bastante ampla.
Outro fator que tem atraído o investidor estrangeiro para a compra de ações, diz o executivo do WestLB, é a expectativa de melhora do rating (risco) do País rumo ao investment grade (confiança para investimento). ''O cenário é favorável e a Bolsa poderá render em 2006 o dobro do juro médio do CDI'', estimado perto de 16,50%.
Para 2006, fatores como as eleições, a alta do petróleo e os desequilíbrios da economia americana se apresentam como riscos para o mercado. Mas, de maneira geral, os analistas continuam apostando na continuidade da alta das ações.
O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, também desenhou um cenário positivo para o mercado no próximo ano. Ele acredita que a liquidez será boa e a bolsa poderá triplicar o número de aberturas de capital de empresas (IPO), para 20 ou 25, contra 8 em 2005. Magliano também comemora o crescimento da movimentação financeira. ''Nós estamos conseguindo manter no pregão diário da Bolsa R$ 1,5 bilhão , R$ 1,6 bilhão - isso representa um aumento muito grande em relação aos últimos anos'', revelou.

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