O investidor deve continuar enfrentando dificuldades para identificar a tendência das taxas de juros, das ações e do dólar. Não é só. A instabilidade e o clima de incertezas tendem a ser mantidos no mercado financeiro enquanto não ficar resolvida a questão básica, que é a recuperação da confiança do investidor estrangeiro no País.
A análise é do economista Luís Eduardo de Assis, responsável pela HSBC Asset Management, que prevê a continuidade do ambiente de tensão até que se chegue à conclusão do ajuste fiscal, com a aprovação da CPMF pela Câmara, e do novo acordo com o FMI. Segundo ele, o momento de indefinição sugere que o investidor conservador tem como melhor opção de aplicação os fundos DI, lastreados em Certificados de Depósito Interbancário (CDI), cujos juros são os correntes no mercado. Assis explica que os fundos de investimento, como os DI, abriram vantagem sobre as cadernetas, em rentabilidade, depois que o governo aumentou o redutor aplicado sobre as taxas médias de CDBs para o cálculo da Taxa Referencial (TR).
Um dos fatores para a diminuição do nível de tensão no mercado é a estabilização do preço do dólar em níveis inferiores em torno dos quais tem flutuado no momento. O equilíbrio seria obtido mediante a retomada de investimento do capital estrangeiro e a ampliação das exportações, a partir de abril, acredita Assis. A combinação dessas duas variáveis, ampliando a oferta de dólares, traria as cotações do dólar abaixo dos níveis atuais.
Assis não acredita que o Banco Central intervenha no mercado de câmbio para derrubar os preços do dólar. ‘‘A ação do BC é limitada, apenas para conter os movimentos especulativos, porque a opção é por não perder reservas.’’
A trajetória das taxas de juros vai depender da tendência da inflação. Os dados divulgados até agora indicam que ela é ascendente, mas o governo deve esperar projeções mais consistentes para calibrar os juros à inflação mais elevada. É possível até que o Banco Central tome alguma decisão sobre os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a quarta-feira.
O responsável pela HSBC Asset Management não acredita em juros negativos, abaixo da inflação, nas aplicações. Não se deve esperar, de todo modo, que o BC seja generoso e trabalhe com ampla margem de juro real. ‘‘A tendência é que o juro real fique muito baixo, quase na linha da inflação.’’
A perspectiva de forte encolhimento do juro real nas aplicações de renda fixa, aliás, é que pode transformar as Bolsas de Valores em boa oportunidade de investimento este ano, observa Assis. ‘‘A queda dos juros é poderoso estímulo ao investimento em ações.’’ O potencial de valorização das ações e, portanto, de rentabilidade do investidor vai depender também de certa estabilidade da economia, para que se tenha certa clareza da lucratividade das empresas cujas ações são negociadas na Bolsa, afirma.
Nem todas as ações são interessantes para a compra, neste momento que a economia mergulha num processo recessivo mais profundo. É preciso fazer a escolha levando-se em conta a reviravolta econômica provocada pela mudança no câmbio em janeiro. De modo geral, a desvalorização do real favorece as empresas exportadoras e os bancos, aponta Assis.Arquivo FolhaPara especialistasApesar do mercado de ações despontar como forte opção de ganho, nem todos os papéis são interessantesAgência Estado

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