A cautela recomendada pelos analistas desde a última sexta-feira, quando as Bolsas brasileiras começaram a tirar a cabeça da crise, fez sentido ontem. Após três dias de alta, a Bolsa de São Paulo cedeu 2,59% diante da volta dos rumores sobre instituições financeiras em dificuldades e da conscientização de que havia certa precipitação nas recentes altas. Na Bolsa do Rio, a queda foi de 1,72%.
No meio da tarde, no entanto, voltaram a circular pelas mesas de operação comentários de que alguns bancos estariam com dificuldades para liquidar suas posições na BM&F (Bolsa de Mercadorias e de Futuros). Alguns dos nomes eram os mesmos da semana passada. Mas falava-se também de um banco paulista de médio para grande porte, com atuação no varejo. A BM&F voltou a negar que houvesse algum registro de caso de inadimplência.
Nem mesmo o surpreendente ágio de mais de 70% obtido na venda da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) empolgou os investidores. Valeu a velha máxima de que o mercado ‘‘compra no boato e vende no fato’’. Ou seja, a avaliação é de que os ganhos de segunda (9,70%) e terça-feira (4,01%) já antecipavam o sucesso da privatização.
O cenário externo também não colaborou. A Bolsa de Hong Kong fechou em baixa de 0,92%. Em Tóquio, a Bolsa caiu 0,31%. O mercado nova-iorquino, que costuma inspirar as negociações locais, teve um dia fraco. O índice Dow Jones fechou com inexpressiva valorização de 0,04%.

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