Bolsa fecha em alta no último pregão e termina 2018 com valorização de 15%
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Agência Estado 
São Paulo - Impulsionado principalmente pelo bom humor no exterior, o Ibovespa fechou em alta a última sessão do ano, com ganhos de 2,84%, aos 87.887,26 pontos, nesta sexta-feira (28). Com isso, terminou 2018 com valorização acumulada de 15,03%, na contramão dos principais índices do mundo e de outras economias emergentes, que encerraram o ano em baixa.
O otimismo com os ativos brasileiros em 2018 foi alimentado em maior parte pela vitória de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente da República, que deixou o mercado mais animado com a possibilidade de o governo realizar medidas de ajuste fiscal, como a tão aguardada reforma da Previdência.
Na primeira metade do ano, a expectativa de recuperação mais rápida da economia este ano também ajudou, mas a greve dos caminhoneiros em maio acabou esfriando a atividade.
Sem o mesmo vigor da Bolsa de São Paulo, mercados como o de Frankfurt e Milão terminaram o ano com quedas de 18,26% e 16,15%, respectivamente. Vários mercados ainda vão operar na segunda-feira, como os de Nova York e outros da Europa, mas todos acumulam perdas no ano. Tóquio e Xangai, que já encerraram o ano, fecharam com recuos de 12,08% e 24,59%, respectivamente.
Se o Ibovespa caminhou na direção oposta aos dos principais mercados do mundo em 2018, na sessão desta sexta contou com a ajuda deles para fechar em alta o último pregão antes de 2019. Nos Estados Unidos, ainda repercutem resultados positivos de consumo no fim do ano, que exercem pressão de alta em papéis de varejistas.
Além disso, segundo analistas, os ganhos desta sexta em São Paulo também refletem um movimento de correção do Ibovespa em relação a perdas registradas ao longo da semana. O principal índice da Bolsa caiu 0,65% na quarta-feira, em ajuste à forte queda dos índices norte-americanos na segunda-feira, e subiu 0,38% na quinta.
DÓLAR
O dólar à vista fechou o último pregão de 2018 em queda, influenciado pela vitória dos vendidos na disputa pela formação da última taxa Ptax de dezembro e do ano, que servirá para a liquidação do contrato futuro de janeiro e os ajustes das posições cambiais e nos balanços corporativos deste fim de ano. Apesar da queda da sessão desta sexta-feira, o dólar acumula alta de 0,43% no mês e de 16,89% no ano, bem acima da alta de 1,95% de 2017 e a maior variação desde 2015, quando a moeda americana disparou 49% em meio ao turbulento primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff e da expectativa do início da alta de juros nos Estados Unidos.
O real registrou em 2018 o terceiro pior desempenho ante o dólar entre os principais países emergentes, atrás apenas da Argentina e da Turquia.
No final da sessão desta sexta-feira, o dólar à vista terminou em queda de 0,36%, a R$ 3,8755. O dólar para o mês fechou em alta de 0,40%, a R$ 3,8935.
A disputa pela Ptax entre comprados (que apostam na alta do dólar) e vendidos (na baixa) dominou os negócios nesta sexta nas mesas, provocou volatilidade nas cotações pela manhã e elevou o volume financeiro no mercado de câmbio, que estava baixo na semana por causa das festas de final de ano.
No mercado à vista, o giro ficou em US$ 2,2 bilhões. No futuro, o contrato do dólar de fevereiro, que passou a ser o mais líquido, teve volume de US$ 18,5 bilhões.
Fora da Ptax, a queda do dólar no exterior ante moedas como o euro e a divisas de emergentes também contribuiu para o movimento de alívio aqui. No mercado doméstico, após as declarações do vice-presidente, general Hamilton Mourão, de que a reforma da Previdência será a "prioridade número um" do governo, foi bem recebida pelas mesas de operação e renovaram o otimismo do mercado com o avanço das reformas em 2019.
"Resolver a insustentável situação fiscal do Brasil será o desafio chave que o governo de Bolsonaro vai enfrentar", avalia nesta sexta-feira o economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.
"Permanecemos otimistas com a evolução da reforma da Previdência nos próximos meses", escrevem os estrategistas em Nova York do grupo financeiro japonês Nomura.
Para eles, com o encaminhamento da reforma no Congresso, a pressão no câmbio brasileiro deve se reduzir.
O Morgan Stanley recomenda montar posições em real e vê chance da moeda americana cair a R$ 3,55 ainda no primeiro trimestre, embora espera "algum ruído" no trâmite da reforma da Previdência entre os parlamentares.
JUROS
Os juros futuros estiveram em queda durante toda a sessão desta sexta-feira para encerrar 2018 nas mínimas históricas nos principais vencimentos, considerando as taxas de fechamento da sessão regular, que concentra praticamente todo o volume de negócios do dia. Apesar da agenda doméstica recheada nesta sexta-feira, nenhum dos indicadores chegou a fazer preço sobre as taxas, que tiveram o câmbio como principal referência.
A liquidez continuou fraca, mas ligeiramente melhor do que nas últimas sessões. O pano de fundo para o otimismo do mercado continua sendo a expectativa de um governo reformista na gestão Bolsonaro, que promova o ajuste fiscal, impulsione a economia e a geração de empregos.
No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,55%, de 6,571% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,392% para 7,36%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,53%, de 8,572% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 9,132% para 9,10%. Estas taxas representam os patamares mais baixos desde que cada um destes contratos começou a ser negociado na B3. No fechamento das 18 horas, estas taxas estavam em 6,56%; 7,37%; 8,53%; e 9,09%, respectivamente.
"Na ausência de notícias mais concretas, os juros oscilaram junto com o dólar", afirmou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira. A moeda fechou em baixa de 0,36%, aos R$ 3,8755, no segmento à vista, acumulando alta de 16,89% em 2018.
Vieira observa que a ponta curta está no que classificou de "ramerrame", ou seja variando pouco, quase sem prêmio em função da perspectiva de Selic estável por muitos meses, quiçá todo o ano de 2019. Isso, por sua vez, é atribuído à falta de perspectiva de mudança na taxa básica por parte do Banco Central "Assim, o jogo fica mais para os DIs longos, que denotam maior otimismo, sendo o grande sinalizador da perspectiva positiva com o novo governo", disse.
Enquanto aguardam a posse de Jair Bolsonaro no dia 1º, os investidores viram com bons olhos as declarações dos membros da equipe de transição sobre a reforma da Previdência, que é a maior expectativa do mercado. Além de citar na quinta que a reforma da Previdência é "prioridade número um", Mourão disse que a ideia é aproveitar parte do texto do presidente Michel Temer que está em tramitação no Congresso para acelerar a votação das medidas.
De acordo com fontes, a equipe econômica do futuro ministro Paulo Guedes poderá usar a atual proposta para introduzir praticamente todas as mudanças planejadas pela transição, inclusive o regime de capitalização, o que deve economizar um tempo precioso na tramitação.
"A equipe técnica achou brechas para não ter de fazer uma nova PEC, o que é uma boa notícia boa, agora depende do manejo com o Congresso", disse o economista Breno Martins, da Mongeral Aegon Investimentos.


