Bolsa fecha em alta, mas sem euforia
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de novembro de 1998
Das agências 
O mercado financeiro não mudou significativamente a rotina com a formalização do acordo do País com o FMI. Os valores e as condições de pagamento não surpreenderam os executivos. As exigências do Fundo tampouco incomodaram os investidores em bolsas, pois o mercado não seria ingênuo em apostar num almoço grátis. Haverá supervisão e fiscalização sobre a capacidade de o Brasil cumprir suas promessas, escritas no Memorando de Políticas Econômicas, variante da velha carta de intenções.
Em clima de alívio, mas sem euforia, juro e dólar negociados no mercado futuro deram continuidade à queda dos últimos dias. A Bolsa de São Paulo ensaiou uma realização mais acentuada dos lucros da manhã, quando a valorização chegou a 5%, antecipando-se ao acordo que seria anunciado no começo da tarde. O mercado chegou a rodar com ligeira baixa de 0,12% após a divulgação do acordo, pressionado pelas vendas, mas reagiu e fechou o pregão com alta de 1,94%.
A recuperação traduziu a expectativa de que o acordo com o FMI e o suporte financeiro externo estimulem a retomada de compra de ações pelo capital estrangeiro, cuja participação nos pregões é considerada condição para a valorização do mercado e expansão dos negócios. Dados divulgados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ontem apontam que entre 1º e 10 de novembro, período de maior valorização das ações, houve uma entrada líquida de R$ 222 milhões de recursos externos na Bolsa paulista. Na Bolsa do Rio, a alta foi de 1,65%.
A evasão de divisas do Brasil voltou a cair ontem, com as saídas de dólares superando as entradas em US$ 17 milhões. Os números são das 19h. As operações podem ser realizadas até as 21h30. Pelo mercado de dólar flutuante, um segmento do dólar turismo, as saídas superaram as entradas em US$ 50 milhões até as 19h de ontem. Pelo mercado de dólar comercial, houve entradas de US$ 33 milhões. Bancos norte-americanos, como o Citibank e o Chase, compraram reais no mercado. A evasão de dólares se acalmou neste mês, após terem saído US$ 1,9 bilhão em outubro, US$ 18,7 bilhões em setembro e US$ 12 bilhões em agosto.


