Bolsa-estiagem prevê gasto de R$ 207 milhões
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo federal está preparando o pagamento da ''bolsa-estiagem'' para os agricultores familiares que perderam suas lavouras no início deste ano. O Ministério da Integração Nacional prevê o desembolso de R$ 207 milhões para socorrer pessoas e agricultores atingidos pela estiagem nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e pelo ciclone Catarina no estado de Santa Catarina.
No Paraná, entre quatro mil e cinco mil agricultores familiares de 32 municípios deverão ser beneficiados. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento fez o levantamento dos municípios atingidos, identificando maiores perdas de lavouras provocadas pela estiagem que aconteceu no início do ano em 28 municípios do sudoeste, três da região oeste e um município da região central.
O benefício do governo federal prevê o atendimento aos agricultores familiares que financiaram suas lavouras pelo Programa Nacional de Apoio ao Fortalecimento Familiar (Pronaf) e também aos agricultores pobres que perderam suas culturas por causa da estiagem.
Quem tem lavouras financiadas pelo Pronaf grupo C, conhecido como ''Pronafinho'', deve ser beneficiado no pagamento do financiamento com um desconto adicional no valor de R$ 650. Normalmente essa classe de produtores já tem direito a um desconto de R$ 200. Portanto, serão R$ 850 de desconto, calculou Reni Antonio Denardi, secretário executivo do Pronaf no Paraná.
Os agricultores pobres, que não tiveram condições de fazer o financiamento, mas tiveram perdas devem ser beneficiados com um bônus chamado de ''bolsa-estiagem'', que corresponde ao pagamento de uma parcela única de R$ 300 por agricultor. Os detalhes operacionais para o repasse do dinheiro serão definidos em reunião no Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, na próxima segunda-feira.
A lista das famílias beneficiadas deverá ser feita pelos conselhos dos comitês gestores municipais, presentes em quase todos os municípios, disse Reni. A Emater também deve ajudar no cadastramento. Reni lembrou que somente os municípios que declararam situação de emergência foram atendidos.
A estiagem castigou a Região Sul do País entre os meses de janeiro e maio deste ano. No Paraná foram perdidos 1,9 milhão de toneladas de soja e 300 mil toneladas de milho. No sudoeste, os agricultores familiares que produzem leite também tiveram a atividade afetada por falta de massa verde para os animais.


