Bolsa ensaia recuperação, mas recua e fecha em -1%
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de dezembro de 1998
Agência Folha 
Na abertura dos negócios de ontem, Bolsa, juros, câmbio e títulos da dívida pareciam ter superado a crise de ontem. Durante quase todo o dia, o movimento foi de recuperação. No meio da tarde, no entanto, uma nova onda de boatos e especulações veio para desestabilizar os mercados. A Bolsa fechou em baixa de 1,03%, apesar de ter subido 3,03% no pico do dia.
Contribuíram para o otimismo inicial dos mercados alguns indicadores norte-americanos que apontaram uma economia aquecida nos EUA. Por conta disso, a Bolsa de Nova York, que enfrentava ondas de pessimismo nos últimos dias e foi afetada pelos problemas brasileiros na quinta, fechou em alta de 1,54%.
Por volta das 15h no Brasil o humor azedou com a proliferação de muitos boatos negativos, típicos, aliás, de mercados desestabilizados. Comenta-se que as revistas e os jornais estariam cheios de novas denúncias no final de semana, entre elas um escândalo envolvendo os fundos de pensão e as privatizações.
Mais uma vez especulou-se sobre a demissão do presidente do BC, Gustavo Franco, que não passaria do domingo. Novamente, como no dia anterior, a informação foi desmentida, desta vez pela assessoria de imprensa do banco. Outro boato: o governo voltaria a mudar a política de redução gradual dos juros no over, passando a cortar apenas 0,10 ponto a partir da próxima
semana.
O mercado futuro de câmbio ficou bem nervoso depois de tudo isso. Os contratos, que chegaram a cair, fecharam todos em alta. O dólar de dezembro subiu 0,04%, para R$ 1,214. A saída de dólares do país continuou. Até as 19h haviam saído US$ 52 milhões pelo câmbio comercial (de importações e exportações) e US$ 61 milhões pelo flutuante (turismo, remessas de dinheiro, etc.). O juro na BM&F fechou em alta, depois de passar o dia estabilizado. O contrato que vence em janeiro (juro de dezembro) subiu de 31,6% para 32,07% ao ano.
O C-bond abriu em alta, chegou a ser negociado a 62% do seu valor de face e depois recuou para cerca de 60%. No fechamento, o título estava a 61,38%, com alguma recuperação.
O Dow Jones, índice da Bolsa de Valores de Nova York, fechou com alta de 1,54%. Em Londres, o índice FT-100 teve valorização de 0,28%. O índice Nikkei da Bolsa de Valores de Tóquio caiu 0,39%.


