O investidor que está pensando em aplicar em ações deve levar em conta as possíveis oscilações mais bruscas do mercado no curto prazo. Como as Bolsas vêm avançando com vigor este ano, é possível que os investidores reforcem as vendas para realização de lucros. Para quem pode aplicar no longo prazo, no entanto, as perspectivas continuam amplamente favoráveis.
O diretor de Mercado de Capitais do Banco Fenícia, Ricardo Sampaio Corrêa Filho, avalia que não existe, no momento, um fato positivo capaz de continuar estimulando valorizações fortes das Bolsas. Fatores como a venda da Vale do Rio Doce, a aprovação da Lei Geral de Telecomunicações e uma ação mais firme do governo em relação à privatização já teriam sido aproveitados pelo mercado para uma alta das cotações. Para os próximos meses, Corrêa Filho acredita que as Bolsas não devam repetir o desempenho apurado até agora no ano.
Segundo ele, as ações de primeira linha, como Telebrás, tenderiam a acomodar-se, pois acumularam alta expressiva. Ele aposta que as ações da chamada segunda linha nobre (de grandes empresas do setor privado) têm bom potencial de valorização.
A migração do dinheiro da renda fixa para a renda variável é um dos fatores que têm dado consistência à alta dos mercados acionários. A Bolsa paulista, por exemplo, vem movimentando cifras na casa de R$ 1 bilhão por dia. A queda nominal dos juros, aliada à perspectiva de maiores ganhos nas Bolsas, provocou esse movimento no mercado.
Para Corrêa Filho, o cenário externo não deve causar problemas para as Bolsas brasileiras. A tendência é de que os juros norte-americanos não sejam elevados, o que não provocaria migração do dinheiro para os títulos de renda fixa dos Estados Unidos.
O diretor do Fenícia recomenda que o investidor aplique até 20% de seus recursos em renda variável, em fundos mistos (que investem parte de seus recursos nas Bolsas) ou de ações.
A manutenção da TBC e da TBAN (piso e teto do juro) para julho, em 1,58% e 1,78%, pela ordem, confirma mais uma vez que a remuneração da renda fixa continuará razoavelmente atraente. Ainda que as taxas tenham caído bastante desde meados de 1995, a rentabilidade dessas aplicações deve ficar confortavelmente acima da inflação. Entre as opções de renda fixa, Corrêa Filho indica os fundos de investimento financeiro de 60 dias.

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