Mais do que nunca, 1998 foi o ano dos juros. Já tinham sido recordistas mundiais em 1997, mas naquele ano, salvas pela ‘‘exuberância irracional’’ do primeiro semestre, as Bolsas ainda lideraram o ranking, com 44,83% de alta. Agora, ficaram na lanterna. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário), parâmetro das aplicações que rendem juros, fecha este ano com 28,55% (em 1997 foi a 24,60%). Nos anos completos do Plano Real, só perde para os 53,21% de 1995, quando a inflação ainda estava na faixa de 15% a 20%, dependendo do índice de preços.
Em contraste com os juros, o Indice Bovespa, que reflete a variação das ações mais negociadas em São Paulo, encerrou ontem a série de pregões de 1998 com uma queda espetacular de 33,46%, contrastando com o Dow Jones, de Nova York, que subiu 17%. Um investidor com carteira de ações indexada ao Ibovespa que valia R$ 100 mil há um ano a venderia ontem por R$ 65,5 mil.
O fato de o CDI ter acumulado 28,55% neste ano não significa que alguém com R$ 100 mil aplicados no início de janeiro dispõe hoje de R$ 128,5 mil. Os juros do CDI, o overnight interbancário, são brutos. Um investidor normal de renda fixa paga 20% de Imposto de Renda - sem contar os efeitos da CPMF quando o dinheiro transita pela conta corrente. Considerando a taxação pelo IR mês a mês, uma aplicação que tenha rendido 100% do CDI acumulou este ano 22,30% líquidos, praticamente tudo de juro efetivo, uma vez que a inflação está beirando zero por cento. Pelo IGP-M, que fechou o ano com 1,78%, a rentabilidade efetiva daria 20,16%. Se o termômetro for o IPC da Fipe, que pode registrar deflação de 2% este ano, o juro real seria ainda maior, de 24,80%.
Acontece que nem todas as aplicações que rendem juros chegam a 100% do CDI. Podem até dar mais, porém na média oferecem rentabilidade um pouco mais baixa. Nos FIFs (Fundos de Investimento Financeiro), por exemplo, os bancos cobram taxa de administração para cuidar do dinheiro do cliente. Pelo acompanhamento da Agência Folha, a rentabilidade média dos FIFs de 60 dias - os mais rentáveis - deve ficar em 20,38% nominais, líquidos de Imposto de Renda. A dos FIFs de 30 dias, sujeitos ao compulsório não-remunerado de 5%, alcança 18,87% líquidos.
No primeiro semestre de 1998 a conta do ‘‘leão’’ só era apresentada na hora do resgate da aplicação em fundos. Depois, passou a incidir a cada ‘‘aniversário’’, havendo ou não retirada. A rentabilidade varia muito nos FIFs, não só pelo efeito da taxa de administração, mas também pela administração e perfil da carteira de títulos. A alta dos juros em setembro, por exemplo, prejudicou os fundos que compraram mais títulos prefixados.
Na liderança do ranking está o CDB (Certificado de Depósito Bancário) prefixado, mas cabem ressalvas. Computou-se, no caso, juro pago a grandes investidores e empresas, aos quais não são oferecidas taxas de agência, mas as da mesa de operações do banco. Além disso, não foi considerado o impacto da CPMF de 0,20% na renovação mensal da aplicação. Com esse imposto, a rentabilidade cai muito. É por isso que grandes investidores costumam comprar CDBs de prazos mais longos, com repactuação de juros ou ‘‘swapados’’ (troca) em CDI.
A caderneta de poupança se distanciou bastante das demais aplicações - sem contar o FIF de curto prazo, que não chega a ser investimento. Vai render, este ano, 14,44%, menos até que no ano passado, quando deu 16,56%. A favor da poupança, porém, existe o fato de o rendimento ter sido praticamente todo real, efetivo, pois a inflação foi ‘‘zerada’’ no País. Além disso, não é taxada por Imposto de Renda e paga exatamente a mesma taxa para todos com ‘‘aniversário’’ na mesma data.Arquivo FolhaAposta caraInvestidor que entrou no mercado de ações este ano teve prejuízoAgência Folha

mockup