Bolsa é boa opção, mas para longo prazo
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segunda-feira, 30 de novembro de 1998
Agência Estado 
Com expectativa de inflação próxima de zero para os próximos meses e juro ainda acima de 30% ao ano, as aplicações de renda fixa continuam oferecendo ganho real excelente. Além disso, o BC desacelerou a velocidade de queda das taxas na semana passada, o que vai fazer com que a renda fixa tenha rentabilidade elevada por mais tempo. Mesmo assim, quem pode aplicar por prazos mais longos encontra boa opção de investimento nos mercados acionários.
Depois de sofrer quedas acentuadas em agosto e setembro, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou a recuperar-se. Esse movimento ocorreu após o governo anunciar um ajuste fiscal rigoroso e o País acertar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Também contribuiu para o recente avanço das Bolsas o fato de que o cenário externo começou a acalmar-se, especialmente em razão dos três cortes nos juros promovidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Até a sexta-feira, o Índice Bovespa (IBovespa) acumulava valorização de 29,03% no mês. Para o diretor do Private Bank do Banco Sudameris, Eduardo Santalúcia, mesmo depois dessa alta, as perspectivas para aplicar em ações são positivas.
Nos últimos pregões, o avanço do IBovespa foi sustentado em boa parte por ordens de compra de investidores estrangeiros. Santalúcia acredita que pode haver continuidade desse fluxo de recursos para os pregões domésticos. As ações brasileiras ainda estão baratas, diz ele.
Por conta disso, o diretor do Sudameris recomenda o investimento em ações para quem pretende aplicar por prazo superior a um ano. Segundo ele, se tiver esse horizonte de investimento, o aplicador tem boas chances de ganhar dinheiro nas Bolsas. Mas é preciso investir por um período mais dilatado, não adianta querer especular no curto prazo, adverte.
Santalúcia entende que o cenário tende a favorecer o desempenho das Bolsas no ano que vem. O acordo com o FMI, que deve garantir US$ 41,5 bilhões ao País, vai permitir que o Brasil feche suas contas em 99. Além disso, a tendência é que o front externo continue tranquilo. E o diretor do Sudameris aposta ainda que, passado o primeiro trimestre, a recessão não será tão dura.


