Bolsa é boa opção, mas exige cautela
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de maio de 1999
Agência Estado 
Com juros em queda e maior participação dos capital estrangeiro nos pregões, o apelo do investimento em ações tende a crescer. Mas a questão que o investidor tem de levar em conta é que a Bolsa já subiu muito este ano (81,82% na Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa), o que pode fazer com que os mercados recuem, caso surjam problemas no front interno (como eventuais dificuldades no campo fiscal) e no externo (como uma correção da Bolsa de Nova York). É por isso que os especialistas insistem em que quem pretende aplicar em ações deve ter a perspectiva de médio e longo prazo, e desde que use parcela pequena dos recursos.
O diretor da HSBC Asset Management, Luís Eduardo de Assis, aposta que as Bolsas devem ganhar da renda fixa daqui até o fim do ano. Mas ele acredita que as ações não deverão repetir o excelente desempenho apresentado nos primeiros meses do ano. O investidor tem de saber que o melhor da festa já passou.
O chefe do Departamento de Análise de Ações da Hedging-Griffo Asset Management, Dan Cohen, entende que o Índice Bovespa (IBovespa), que reúne as ações mais negociadas na Bolsa paulista, tem potencial de valorização não muito grande até o fim do ano, de cerca de 15%.Por isso, ele diz que o melhor é selecionar algumas ações bastante negociadas, como as holdings de telefonia fixa (Telesp Participações, Tele Norte-Leste e Tele-Centro-Sul), que devem ter desempenho acima da média do mercado. Ele sugere as ações mais negociadas porque é mais fácil entrar e sair desses papéis, o que é importante em momentos turbulentos.
O diretor de Tesouraria do Banco AGF-Braseg, Jayme Petená, encara com cautela o investimento em ações, no momento. Ele entende que a aplicação em Bolsas só deve ser feita com horizonte de pelo menos um ano. Petená alerta que, além de ter subido bastante este ano, existe o risco de uma correção da Bolsa de Nova York, que já subiu muito até agora e estaria em níveis insustentáveis, segundo alguns analistas.
Mas, se não ocorrer esse tipo de problema e o Brasil não apresentar complicações fiscais no segundo semestre, as Bolsas poderão continuar em alta, especialmente se os investidores estrangeiros seguirem apostando no mercado brasileiro. A queda dos juros contribui para isso, uma vez que a competitividade da renda fixa diminui.


