Ao comparar o desempenho das principais aplicações no mercado financeiro, é possível entender a razão de tanto interesse do investidor em jogar parte do seu dinheiro nas Bolsas de Valores. Elas foram disparadamente as campeãs de rentabilidade nos primeiros três anos de Real, desbancando, de vez, as aplicações de renda fixa. A cristalização das ações como investimento mais rentável nesse período teve início com a expectativa de privatização, passou pela aprovação da emenda da reeleição e foi reforçada com a queda mais acentuada dos juros nominais.
Os juros, em persistente queda após o Real, descreveram curva declinante mais forte desde outubro de 1995, mas apenas nos últimos meses estimularam deslocamento mais forte de dinheiro da renda fixa para a renda variável. Desapontados com o baixo rendimento das aplicações remuneradas por juros, como caderneta, CDBs e fundos de renda fixa, e seduzidos pelas contínua e vistosa valorização das ações, os investidores passaram a movimentar o dinheiro da renda fixa para as Bolsas de Valores, mais ostensivamente nos últimos meses.
A migração de recursos de um mercado a outro levou a uma expansão dos negócios e à alta das ações, ainda que o capital estrangeiro tenha reduzido o apetite de compra de ações brasileiras, à espera do avanço das reformas econômicas e privatizações. Já os segmentos de dólar paralelo e ouro passaram a amargar um esvaziamento de negócios, diante da ausência de incertezas com a estabilidade do Real.

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