Bolsa dispara com 'impeachment'
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sexta-feira, 04 de dezembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
A abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), anunciado na quarta-feira à noite pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), teve efeito imediato no mercado financeiro. A Bovespa fechou ontem com ganhos de 3,29%, aos 46.393,26 pontos e R$ 7,8 bilhões em negócios. E o dólar teve queda de 2,26%, fechando a
R$ 3,749 na venda.
"Teve momento do dia com alta de 4%. Realmente foi um movimento atípico", afirma Paulo Marcos Barbosa e Silva, agente autônomo de investimento da Equipe Trader, de Londrina. Ele não se lembra de um dia de tanta agitação no mercado desde a morte do então presidenciável Eduardo Campos (PSB), em 13 de agosto do ano passado. Só que, naquele dia, o movimento foi de queda.
Para o agente de investimento, a Bolsa deve oscilar nos próximos dias de acordo com os fatos políticos, para cima quando eles forem desfavoráveis ao governo, e para baixo, quando favoráveis. Mas uma nova agitação como a de ontem, só quando houver o desfecho do caso. "Os investidores têm medo deste governo. Temem confisco, temem calote", alega.
Na economia real, os efeitos da abertura do processo de impeachment não são imediatos. E as opiniões sobre se eles serão benéficos ou não se dividem. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, a notícia serve de alento. "Reacende uma esperança. Há um fato novo que pode trazer mudanças", afirma. Mas o processo, de acordo com ele, precisa ser feito dentro do "embasamento legal, do rito democrático".
O empresário afirma ter esperança de que a presidente seja impedida e que assuma o vice, Michel Temer (PMDB). Para Campagnolo, o programa que o PMDB lançou para uma possível candidatura à Presidência em 2018 é "mais liberal, mais coerente". "Essa política econômica ideológica que o PT trouxe já provou que é um modelo vencido", declara. Ele acredita que, se Temer tornar-se presidente, a implantação do programa será antecipada.
Além de dizer que o modelo petista está vencido, o presidente da Fiep alega que a presidente Dilma não tem condições "técnicas nem políticas" de reorganizar a economia. Questionado se o empresariado voltaria a investir imediatamente após um suposto impeachment, ele diz que não. "Num primeiro momento vai ser para observar se o novo presidente consegue manter a governabilidade", declara.
Já, para o economista e consultor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, o início do processo de impeachment não serve nem de alento. "A chance de um processo de impedimento ser bom para economia não existe", declara. Para ele, o fato traz mais paralisia para o empresariado, desincentivando investimentos. "Ninguém navega em mar encapelado, mas sim recolhe as velas", afirma.
O economista e professor da Faccar, Márcio Massaro, concorda. "O processo (de impeachment) traz mais incertezas para economia. O mercado precisa de um horizonte de certeza. E o impeachment é uma interrogação", declara. A saída de Dilma, para o economista, não é necessariamente uma "certeza" para a economia. "Não é porque a presidente caiu que o consumo das famílias vai voltar a crescer", destaca.
Por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, ressalta que o "setor produtivo precisa de segurança para continuar produzindo". Sem entrar no mérito do impedimento da presidente, diz que é preciso mostrar aos investidores que o Brasil é um país sério e confiável. "Por outro lado, os empreendedores brasileiros precisam que o governo adote medidas que permitam fechar a conta no final do mês", afirma. Meneguette diz que o governo deve criar um "ambiente favorável ao desenvolvimento com estabilidade política, investimentos em infraestrutura e serviços básicos".


