France PresseTurbulênciaPregão da Bolsa de São Paulo, que viveu dia de pânico ontem: queda de 5,8%As bolsas de valores viveram um dia de pânico ontem. Nova instabilidade cambial nos mercados asiáticos ajudou a derrubar os mercados em todo o mundo. A Bolsa de Honk Kong terminou a semana com queda de 5%. O índice hang-Seng caiu 740,85 pontos, para fechar a semana a 14.135,25 pontos. Sua quinta maior queda na história, somando 15% de baixa em 22 dias.
O Brasil não foi exceção nesse cenário de baixas, mas aqui a turbulência foi alimentada também por boatos domésticos. Resultado: o Ibovespa caiu 5,83% ontem, fechando o mês de agosto com forte desvalorização de 17,58%.
No capítulo boatos, o primeiro dava conta que uma corretora paulista teria quebrado, em função de não ter honrado seus compromissos na BM&F. Sobre este rumor, a bolsa informou que nenhuma corretora tinha liquidações financeiras pendentes até ontem, mas o desmentido não foi suficiente para tranquilizar os investidores. Em segundo lugar, circularam informações de uma consultoria afirmando que o Banco Central elevaria as taxas de juros no último trimestre do ano.
No fechamento do mês, as bolsas puseram fim à coleção de altas sustentadas mês a mês desde o início do ano. Em agosto, o investimento em ações foi o que impôs maior perda ao aplicador. A Bolsa de São Paulo fechou o mês com desvalorização de 17,58% e a do Rio de Janeiro, de 16,09%. A rentabilidade nominal acumulada pela bolsa paulista no ano, que chegou a 93,42% em 8 de julho, caiu para 50,70%.
As aplicações de renda fixa, com o CDB à frente, ocuparam os primeiros lugares na lista dos investimentos mais rentáveis. Não houve uma alta espetacular das taxas nominais de juro.
Mantida a queda desenhada, a inflação tende a fechar o mês com variação negativa em torno de 1%, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A inflação de agosto pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), foi de 0,09%.
A continuidade das vendas de ações, iniciadas pelo capital estrangeiro e seguido pelos investidores domésticos ancorados nos fundos de ações e de carteira livre, deprimiu as bolsas, que já haviam perdido fôlego em julho. As fontes de estímulo para a realização de lucros foi basicamente externa: a instabilidade cambial nos países asiáticos e incertezas com a indefinição das taxas de juro norte-americanas e da Bolsa de Nova York. O temor, no caso, é de que uma eventual elevação dos juros nos EUA encoraje a venda de ações domésticas pelos investidores externos, e a transferência dos investimentos para lá.

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