Bolsa despenca com crise em Hong Kong
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Agência Estado/AP São Paulo 
France PresseMás notíciasPopulares acompanham noticiário na TV sobre queda na bolsa em Hong Kong O mercado financeiro brasileiro sucumbiu à onda de quedas que arrastou ontem as bolsas e diversas moedas no mundo todo, a partir do minicrash da Bolsa de Hong Kong. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou 8,15%, a maior perda em um único dia desde 15 de julho, quando a bolsa paulista despencou 8,51%, refletindo os temores com a crise cambial na Tailândia. A Bolsa do Rio teve queda de 6,82%.
A queda global começou quando a Bolsa de Hong Kong registrou queda histórica de 10%, refletindo o pânico causado pela elevação de 5% para até 300% nas taxas no overnight. As taxas subiram em consequência da atuação da autoridade monetária local no mercado de moedas para sustentar o dólar de Hong Kong.
Nem mesmo o anúncio do modelo de privatização de Telebrás segurou a queda. Nenhuma das ações que compõem o Ibovespa fechou em alta. A maior baixa foi registrada por Eletrobrás PNB, que caiu 11,6%, cotada a R$ 617,00 o lote de mil. Do setor de telecomunicações, Telebrás ON (-9,51%), Telebrás PN (-8,88%) e Telerj PN (-8,08%) estiveram entre as oito maiores perdas da carteira teórica paulista.
Em toda a América Latina os efeitos do minicrash de Hong Kong foram fortemente sentidos. A Bolsa da Cidade do México fechou em queda de 4,54%, e a de Buenos Aires, em baixa de 4,88%. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 186,88 pontos e fechou em queda de 2,33%.
A cascata começou em Paris, onde a bolsa havia fechado em queda de 3,42%, passando por Londres, com queda de 3,06%, até chegar ao Continente Americano. Os países emergentes da América Latina, segundo analistas, são os mais suscetíveis a repetir crises como a do Sudeste Asiático, e por isso os efeitos são mais graves.
Para Desmond Lachman, chefe de pesquisa sobre mercados emergentes da Salomon Brothers em Nova York, é natural ver repercussões quando os mercados de uma região caem tanto, mas muitas das economias latinoamericanas estão em forma muito boa e devem ser capazes de aguentar isso.
Minicrash - A Bolsa de Hong Kong registrou ontem queda histórica em pontos ontem, em reação à decisão ao banco central do país de elevar as taxas de juros em resposta aos recentes ataques à moeda local. O mercado entrou em pânico, disse um operador.
O índice Hang Seng terminou o dia no nível mais baixo em 19 meses, em 10.426,30 pontos, queda de 1.211,47 pontos ou 10%. A Bolsa acumula perdas de 23% nesta semana. O banco central de Hong Kong elevou as taxas de juro no overnight para até 300% para defender o dólar de HK de ataques especulativos. A taxa prime subiu em 0,75 ponto percentual. Com a taxa elevada, o dólar de HK chegou a operar em 7,4850 por dólar na máxima. No entanto, próximo ao fim do dia, o dólar de HK recuava dos maiores níveis atingidos durante o dia, para 7,6965 por dólar às 5h10 (de Brasília), acima de 7,7455 por dólar na abertura e de 7,7499 por dólar ontem.
As principais Bolsas do Sudeste Asiático também caíram. A Bolsa de Cingapura foi uma das mais afetadas, chegando a recuar 6,0%, num pregão de grande movimento.


