Bolsa despenca; câmbio e juros nervosos
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Fracassou a tentativa de alguns operadores do mercado em melhorar o desempenho das bolsas de valores neste final de mês. No penúltimo pregão de agosto, o Índice Bovespa despencou, para fechar em baixa de 3,85%, passando a acumular queda de 12,47% no mês. A queda se aprofundou na última hora de negócios, quando nem mesmo o esboço de uma recuperação do Dow Jones serviu para reduzir as vendas na Bovespa.
O índice norte-americano chegou a anular sua desvalorização e operou em terreno positivo por alguns minutos, mas acabou cedendo e fechou em baixa superior a 90 pontos, em uma demonstração do alto grau de volatilidade que toma conta da Bolsa de Nova York.
Segundo profissionais consultados pela Agência Estado, grandes operadores locais aproveitaram os últimos minutos do pregão para realizar operações de arbitragem com o Ibovespa futuro, negociado na BM&F, no momento em que o spread em relação ao mercado à vista se mostrou atraente. Na Bovespa, os investidores aproveitaram o ambiente para realizar lucros nas ações do setor elétrico, que haviam se destacado na alta nos últimos dias. O setor encabeçou a lista das maiores quedas e Eletrobrás PNB - o mais líquido desses papéis - fechou em baixa de 8,13%, a R$ 531,00, depois de bater na mínima de R$ 530,00.
No ranking das maiores quedas na carteira do Ibovespa, as ações das elétricas predominaram. Light ON liderou, com perda de 8,90%, seguida por Eletrobrás PNB (-8,13%) e ON (-6,49%). Cemig PN caiu menos, mas também foi destaque nesta lista, com 3,99% negativos.
O mercado de câmbio deu um verdadeiro show de volatilidade ontem. No período da manhã, as cotações do dólar comercial caíram embaladas pelo forte fluxo cambial positivo registrado no dia anterior. À tarde, deu-se justamente o contrário. O comercial disparou com expectativas de fluxo cambial negativo. Esse cenário de alta volatilidade abriu espaço para a volta das especulações com o câmbio futuro. O vencimento setembro, por exemplo, fechou cotado abaixo do dólar à vista.
O dólar comercial tinha pelo menos um motivo para subir ontem: na segunda-feira, será feriado nos EUA (Dia do Trabalho). Por conta disso, as operações de saída de dólares tenderiam a predominar sobre as operações de entrada de moeda. Mas, o mercado abriu em baixa, refletindo o bom ingresso de dólares ontem.
Aos poucos, porém, o efeito feriado foi ganhando corpo. E as cotações do comercial começaram a se estabilizar. Na última hora do pregão, no entanto, o fluxo cambial começou a mostrar que o dia, ontem, fecharia com déficit. Com os fechamentos do comercial em R$ 1,0933 e do vencimento futuro/setembro em R$ 1,0913 (ou seja, abaixo do comercial), esta sexta-feira promete muita agitação para o mercado de câmbio futuro na BM&F.
Até as 17 horas, o fluxo cambial estavam negativo em US$ 161,530 milhões. As exportações somavam US$ 110,391 milhões, contra importações de R$ 121,746 milhões. As compras financeiras estavam em US$ 132,794 milhões, diante de vendas de US$ 282,969 milhões.
Depois de passar boa parte do dia de lado, sem grandes oscilações, os juros futuros se assustaram com o comportamento do câmbio e subiram. Mais uma vez, foi o fluxo cambial do dia o que determinou o movimento especulativo. No final da tarde, operadores estavam contabilizando uma quinta-feira de saldo cambial negativo, em contraste com o resultado de ontem, positivo em US$ 226 milhões. Para contribuir com o pessimismo, as bolsas tiveram um péssimo dia, aqui e lá fora.


