Bolsa de valores também é negócio para elas
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domingo, 07 de março de 2010
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Quando o assunto é investimento, os especialistas apontam que as mulheres são mais cautelosas que os homens, optando muitas vezes por opções tradicionais como a caderneta de poupança. Porém, com a independência financeira e o aumento da renda, o mercado de ações já é alvo de muitas delas. Na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBovespa), a participação feminina vem crescendo numa velocidade bem maior que a do homem. De 2002 para cá, a quantidade de homens na Bolsa evoluiu quase 500%, enquanto o número de mulheres cresceu 810% no mesmo período. Hoje são quase 137 mil mulheres contra 420 mil homens investidores.
O público feminino representa atualmente 23,54% do total de investidores na Bolsa; há oito anos esse índice era de 17,63%. Do total de R$ 102,52 bilhões aplicados em janeiro, R$ 21,20 bilhões vinham das mulheres. O valor investido aumenta conforme a idade. A maior cota está na faixa etária que vai de 36 a 65 anos.
O crescente interesse das mulheres por este tipo de investimento resultou na criação de um programa específico para elas. O ''Mulheres em Ação'', implantado em 2003, realiza palestras dirigidas e disponibiliza conteúdos no site (www.bovespa.com.br) com a proposta de ajudar as mulheres a entenderem melhor como funciona o mercado financeiro.
''Em 2002, quando lançamos nossa campanha de popularização do mercado de capitais, percebemos o interesse feminino pelo mercado de ações, e então resolvemos entender melhor quem é a mulher da atualidade. Assim, foi feita uma pesquisa em seis capitais brasileiras que descobriu uma mulher empreendedora, preocupada com o futuro, e com uma característica peculiar que fortalece sua ligação com os nossos mercados: o longo prazo'', afirma, por meio da assessoria de imprensa, Patrícia Quadros, gerente dos Programas de Popularização da BM&FBovespa.
E qual o perfil da mulher presente no mercado de ações? ''Elas procuram investimentos mais sólidos, com retorno mais garantido. Por isso, optam quase sempre por empresas de primeira linha'', observa Uiara Barbosa, gerente da corretora de valores Um Investimentos, em Londrina, que presta assessoria e faz intermediação de operações financeiras. Ela diz que o número de mulheres atendidas pela empresa aumentou 50% depois da crise financeira mundial, sendo a maior parte na faixa etária entre 30 e 40 anos. ''No geral, percebemos a presença de mulheres que estão começando a carreira, empresárias já bem-sucedidas e também mães de família que investem para os filhos'', enumera.
Enquanto os homens são mais imediatistas e ousados, as mulheres mostram-se mais moderadas e com olhos a longo prazo. ''Eles têm um apetite maior pelo risco. Já elas buscam empresas que pagam bons dividendos e operações estruturadas'', analisa Uiara. Ela destaca que pessoas com perfil conservador também podem entrar no mercado de ações. ''Existe um leque de operações e de possibilidades. A Bolsa pode ser um investimento a longo prazo, com baixo risco, se você tiver um perfil mais conservador'', orienta. Quanto aos valores investidos, Uiara observa que o público feminino é ''mais pé no chão'', começando ''com pouco e aumentando com o tempo''.


