Arquivo Folha‘Andando de lado’Operador da Bolsa confere cotações: tendência de alta não está definidaEmbora tenham iniciado recuperação, as Bolsas de Valores não apresentam clara tendência de alta. ‘‘A perspectiva é de que as Bolsas continuem andando de lado (em relativa estabilidade)’’, prevê Fernando Martins, diretor do Banco Real de Investimentos.
Na semana passada, o mercado de ações tirou proveito do cenário mais calmo no exterior e anulou parte das fortes perdas acumuladas em agosto, escoradas também em uma expansão do volume de negócios. Em setembro, até o momento, a Bolsa de São Paulo apura rentabilidade nominal de 9,8% e a do Rio, de 9,03%.
O volume financeiro nos pregões, embora em elevação, é considerado ainda insuficiente para assegurar uma tendência mais consistente de alta. O preço das ações tornou-se atraente, após as baixas de agosto e início de setembro, mas a dúvida está em saber se o capital estrangeiro retomará compras no mercado doméstico. O investidor local está arredio às ações, depois de amargar perdas.
A queda dos juros básicos norte-americanos e a aceleração da Bolsa de Nova York passaram a influenciar mais acentuadamente a valorização do mercado interno de ações depois da relativa acomodação da crise cambial nos países asiáticos. A questão é saber até quando esse cenário será mantido como fator de sustentação das Bolsas, dada a ausência de fatos novos positivos internamente.
A perspectiva de um acordo entre os acionistas minoritários detentores de recibos de Telebrás e a estatal removeu uma incerteza que vinha deprimindo os negócios nas Bolsas. Pela proposta, a Telebrás entregaria as ações e pagaria os dividendos a quem adquiriu os recibos em 1990, que, no entanto, abriria mão das subscrições ocorridas nos últimos sete anos.
As incertezas que ainda rondam as Bolsas contrastam com a rotina do mercado de renda fixa. Apesar da estabilidade dos juros, confirmada novamente pelo Banco Central, o investidor continua sendo premiado com rendimento real praticamente idêntico ao nominal, porque a inflação média está próxima de zero.
A opção mais rentável, de modo geral, são os fundos de investimento financeiro (FIFs) de 60 dias ou de 30, para o investidor que precisa aplicar por prazos mais curtos.

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