Curitiba - A BVRio e o Grupo Boticário deram início ontem às negociações de crédito de logística reversa de embalagens, por meio da BVTrade, plataforma eletrônica da bolsa de valores ambientais. A previsão é que o volume de créditos adquiridos por esta empresa chegue a 1.200 toneladas ao longo dos próximos dois meses. A BVRio é uma instituição que cria mecanismos de mercado para facilitar o cumprimento das leis ambientais.
O sistema criado pela BVRio permite que empresas de todo o País possam contribuir para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ao mesmo tempo que promovem a inclusão dos catadores no processo, que passam a receber o pagamento pelos serviços prestados ao meio ambiente.
O presidente executivo da BVRio, Pedro Moura Costa, explicou que, na prática, as cooperativas de catadores vendem materiais como papel, plástico, vidro, metal, entre outros para um reciclador. É emitida uma nota fiscal eletrônica que comprova a venda do material. A partir do valor desta nota, são emitidos créditos na BVRio. E, ao final, estes créditos são vendidos para as indústrias que teriam que realizar a logística reversa das embalagens dos produtos que fabricam. A renda obtida com a venda dos créditos é paga aos catadores.
Segundo ele, para dar destino às embalagens, as empresas teriam que criar um departamento novo de gerenciamento de resíduos. ‘’Isso é caro. A compra de créditos simplifica o cumprimento de lei por parte das empresas’’, disse. Ele contou que, além do Boticário, a fabricante de biscoitos Piraquê também entrou na bolsa. Já manifestaram interesse também a Associação Nacional da Indústria de Biscoitos e a Associação Brasileira das Indústrias de Massas.
De acordo com ele, cerca de 20 milhões de toneladas por ano de resíduos precisam ser retiradas do meio ambiente. ‘’Se conseguirmos 2 milhões de toneladas no primeiro ano deste trabalho na bolsa, estaríamos bem felizes’’, disse. ‘’Nosso objetivo é contribuir, de forma efetiva, com o desenvolvimento da sociedade e a proteção do meio ambiente’’, disse o presidente do Grupo Boticário, Artur Grynbaum.
A ambientalista e conselheira do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), Zuleika Nycz, disse que o País ainda não tem um mercado maduro para estas operações com créditos de logística reversa. Ela afirmou ainda que o Brasil está despreparado tecnicamente para certificar as recicladoras.

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