Yoshikazu Tsuno/AFPEm queda livreOperadores acompanham o comportamento das ações na bolsa de Tóquio, ontem. O recorde de baixa no ano abriu crise no mercado asiático e assustou o mundo financeiroInfluenciada pela divulgação de um relatório oficial catastrófico sobre a economia japonesa, a Bolsa de Valores de Tóquio teve ontem a sua pior queda em 1998. O índice Nikkei 225 - que calcula a variação das ações das 225 maiores companhias japonesas - caiu 3,32%, fechando em 15.702 e afetando negativamente quase todos os outros mercados asiáticos. O iene desvalorizou-se em 0,23% frente ao dólar.
Com a queda de ontem, o valor patrimonial das maiores companhias japonesas ficou, em média, 13% menor do que no mesmo período do ano passado. E o mercado acionário japonês, o mais importante do mundo na década de 80, está cada vez mais distante dos dois maiores centros atualmente, os Estados Unidos e a Inglaterra.
O relatório que causou a turbulência de ontem se chama ‘‘Tankan’’ e é publicado trimestralmente pelo Banco Central japonês. O documento registra uma espécie de índice de confiança no mercado. Trata-se de um cálculo simples: a porcentagem de companhias com boas condições financeiras menos a porcentagem de empresas em dificuldades ou em regime pré-falimentar.
O resultado desse cálculo, que já estava negativo em dezembro passado (-11%), foi de -31% em março. É o pior índice desde novembro de 1994. O relatório superou as previsões negativas do próprio governo e dos analistas mais pessimistas. O primeiro-ministro japonês, Ryutaro Hashimoto, esperava por um resultado de -15% e uma pesquisa feita pela Dow Jones entre os mais importantes analistas asiáticos apontara uma projeção de -24%.
A turbulência revelou também um desprezo do mercado com relação ao ambicioso programa de desregulamentação da economia do Japão que começou anteontem e que está mudando o cotidiano dos japoneses. O consenso entre os analistas captado ontem pela reportagem é o de que a economia japonesa não só mostrou sua incapacidade para promover a recuperação dos mercados asiáticos como também passou a ser um elemento de instabilidade na região.
Minutos depois do fechamento do mercado e com o relatório nas mãos, o ‘‘chairman’’ da Sony Corporation, Norio Ohga, disse, numa entrevista coletiva, que ‘‘a economia japonesa está à beira do colapso e de uma espiral deflacionária’’.
Russell Jones, economista-chefe da Lehmann Brothers na Ásia, considerou o resultado catastrófico. ‘‘O recado do relatório foi simples: os níveis de estoque aumentaram, não há previsão de lucros e é consensual a percepção de que o Japão vive uma séria crise de crédito’’, afirmou.

mockup