Bolsa de Tóquio despenca; índice é o menor desde 92
A Bolsa de Tóquio despencou ontem para seu patamar mais baixo desde agosto de 1992. O índice Nikkei fechou com queda de 3,04%, em razão do aprofundamento da crise na Rússia e na Ásia e dos obstáculos enfrentados pelo governo japonês para aprovar, no parlamento, os projetos de saneamento de seu sistema financeiro. O Nikkei fechou o dia a 14.413,79 pontos, o segundo índice mais baixo desde que a bolha do milagre econômico japonês estourou no começo da
década, dando início à atual crise no país.
Apesar da queda, o iene valorizou-se em relação ao dólar, fechando a 143,4 (na quarta-feira um dólar valia 144 ienes). Segundo analistas, tal valorização ocorreu porque investidores japoneses estão fugindo de todos os mercados emergentes em busca de segurança.
Todos concordam que a moeda japonesa não pode ser considerada hoje um refúgio seguro - ao contrário, suas oscilações aceleraram a crise econômica global nos últimos meses. No entanto, acreditam que os Estados Unidos irão impedir que o iene sofra desvalorizações exageradas, por meio de intervenções abertas no câmbio.
Contribuiu para a queda da Bolsa de Tóquio a divulgação de índices negativos das economias dos países vizinhos. Malásia e Coréia do Sul divulgaram ontem que suas economias contraíram 7% e 6,6% no segundo trimestre de 1998. Como o PIB (Produto Interno Bruto) dos dois países nos três primeiros meses do ano também foi negativo, eles estão oficialmente em recessão (conforme definição acadêmica aceita por todos os governos, ocorre recessão quando uma economia contrai por dois trimestres seguidos). O governo de Hong Kong deverá divulgar hoje o resultado de seu PIB no segundo trimestre. A estimativa é de -4%.
As ações dos bancos japoneses lideraram a queda do índice Nikkei. As cotações dos títulos dos dez maiores bancos japoneses caíram para seus valores mais baixos no ano. Há duas razões para isso. A primeira foi a decisão das oposições de dificultar a vida do primeiro-ministro Keizo Obuchi, que queria aprovar rapidamente os projetos de reforma dos bancos. Fortalecidos nas últimas eleições, os partidos de oposição apresentaram na quarta-feira projetos alternativos.





