Toshifumi Kitamura/AFPQueda livrePânico entre operadores no Japão, ontem, com a quarta baixa consecutiva e o menor nível registrado pela Bolsa de Tóquio nos últimos 14 meses

TÓQUIO - As dúvidas sobre a ‘‘saúde’’ da economia japonesa e o ceticismo sobre a capacidade do governo de conseguir uma reforma dos mercados financeiros suscitaram um novo movimento de pânico ontem na Bolsa de Tóquio, que registrou uma espetacular baixa de 4,3%. Foi a quarta sessão de baixa consecutiva. O Kabuto-cho perdeu 3,3% ontem. Desde terça-feira, o índice Nikkei acumulou perdas de 2.057,70 pontos, isto é, 10,6%.
Foi o mais baixo nível registrado pela Bolsa nos últimos 14 meses. O Nikkei perdeu 770,22 pontos e estabeleceu-se em 17.303,65, bem abaixo do limite psicológico dos 18.000 pontos. Durante o pregão, o índice Nikkei chegou a cair 900 pontos, arrastado pelas vendas em massa no mercado a prazo, em particular no setor bancário. O índice recuperou-se levemente pouco antes do fechamento.
‘‘Neste momento, estamos em pânico’’, disse ontem à tarde, quando o Nikkei despencava, um operador da Universal Securities. A queda da Bolsa provocou uma grande preocupação nos meios governamentais, onde se teme que, se a situação continuar, a tímida recuperação da economia nipônica será prejudicada de forma grave.
Alguns especialistas consideram que um retrocesso importante cortará o impulso investidor dos empresários, condição indispensável para uma recuperação duradoura da segunda economia do mmundo, e infligirá um duro golpe às já deterioradas instituições financeiras japonesas. As autoridades tentaram minimizar a queda de ontem, afirmando que as dúvidas sobre a ‘‘saúde’’ da economia japonesa não têm fundamento.
‘‘A economia continua nos trilhos de uma recuperação moderada’’, declarou o Ministro das Finanças, Hiroshi Mitsuzkua, embora reconhecendo que os prejuízos da Bolsa se deviam à falta de avanços nos esforços de desregulamentação e de reestruturação do sistema financeiro nipônico prometidos pelo governo.
Para Hirofumi Adachi, economista do departamento de investimentos do instituto Yamaichi Research, ‘‘a baixa reflete o fato de que os problemas estruturais do Japão não melhoraram. Os investidores estrangeiros estão vendendo seus títulos. A menos que se anunciem novas medidas, o índice Nikkei pode fechar abaixo dos 14.000 pontos’’, previu.
A taxa de desconto já está em um nível historicamente baixo - 0,5 % - desde setembro de 1995. Os operadores têm dúvidas sobre as previsões de um ‘‘crack’’ feitas em novembro pelo Primeiro-Ministro Ryutaro Hashimoto, que deve, teoricamente, acabar com a extrema divisão em compartimentos dos mercados financeiros no Japão. Mas esta reforma, que prevê, além disso, uma liberalização dos câmbios e a livre fixação das comissões dos corretores, não acontecerá antes de 2001.
Queda em LondresA Bolsa de Londres baixou muito ontem influenciada por Wall Street num contexto econômico bastante opaco. O índice Footsie fechou em baixa de 30,4 pontos, com 0,74%, a 4.056,6 pontos. O Liffe, contrato para março no Footsie fechou a 4.059 contra 4.096.
O mercado obrigatório oscilou muito e fechou em ligeira alta para curtos prazos e em queda para os longos prazos. Entre os valores do Footsie, 74 fecharam em baixa, 26 em alta, e o resto permaneceu estável. Entre as baixas, a gravadora EMI perdeu 58 centavos, e fechou a 1.295, a Rolls Royce 9 pence, a 241.

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