Bolsa de SP oscila, mas reduz queda com Dow Jones
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Agência Estado 
Na contagem regressiva para o leilão da Telebrás, as bolsas domésticas tiveram um dia de bastante volatilidade. A rodada de baixa das bolsas internacionais, liderada pelo Japão (-2,6%) e acompanhada pelo Dow Jones, que bateu na mínima de 81,62 pontos, derrubou o Ibovespa. Pela manhã, o índice da bolsa paulista chegou a cair mais de 2%. A reação das ações negociadas em Wall Street, que acabaram o dia em alta de 90,9 pontos foi suficiente apenas para amenizar as baixas no mercado nacional. O sinal do Ibovespa só conseguiu ficar positivo por alguns segundos, por volta das 16h30, mas acabou cedendo. No final do dia, o Ibovespa registrava perda de 0,10%.
Os analistas dizem que o mercado esboçou uma reação no meio da tarde, estimulado pelo Dow Jones. Mas havia uma pressão de venda de ações da Telebrás que impediu qualquer tentativa de elevar o índice. Isso porque foram realizados ontem dois leilões de recibos de Telebrás (Telb40 em São Paulo e Tlbrup no Rio). Foram ofertados dois lotes de 750 milhões papéis, que saíram a um preço de R$ 148,00, em São Paulo, e de R$ 149,00, no Rio, considerados dentro das expectativas do mercado. São papéis que embutem, além do equivalente a uma ação da Telebrás, uma opção de venda cambial (PUT), com vencimento em agosto de 99. Assim, muitos investidores estrangeiros que participaram do leilão interessados apenas na opção foram a mercado vender Telebrás, fazendo uma espécie de hedge. O mercado estima que tenham sido vendidos ontem aproximadamente 900 milhões de ações de Telebrás, quantidade suficiente para pressionar o Ibovespa para baixo.
Além dessa pressão vendedora, os operadores afirmam que o fluxo positivo de capital estrangeiro, que marcou o mês de julho, praticamente secou. Os investidores internacionais interessados em estar posicionados no dia do leilão de Telebrás já chegaram. Agora, só se espera dinheiro novo após o resultado do processo de privatização mais importante do País. É claro que há muito otimismo em relação ao que ocorrerá depois do dia 29, com a venda das companhias de telecomunicações. Se o mercado reagiu tão bem à venda da Elektro, imagine a festa que será com o sucesso do leilão da Telebrás, diz um operador. Mas, até que isso se confirme, os especialistas vislumbram muita volatilidade.


