Bolsa de NY dispara e Bovespa sobe
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
A forte recuperação da Bolsa de Nova York ontem - fechou com alta de 109 pontos - amenizou significativamente a queda das bolsas domésticas, afetadas na tarde de ontem pelo exercício de opções. Mas não foi possível acompanhar a reviravolta em Wall Street com todo seu ímpeto. Segundo analistas ouvidos pela Agência Estado, o mercado brasileiro sofreu o rescaldo do exercício. Como nenhuma série de Telebrás foi exercida, houve sobra do papel no mercado.
Isso explicaria a queda de mais de 1% registrada pela principal blue chip da bolsa paulista em grande parte do pregão vespertino. Este comportamento negativo afetou muitas das principais ações do Ibovespa. Para se ter uma idéia, apenas cinco ações da carteira teórica paulista encerraram a tarde em alta. De qualquer forma, opinou um operador, o desespero já passou, referindo-se aos pregões de sexta-feira e da manhã de ontem. E como o Dow Jones mostrou firmeza, Telebrás PN encerrou o dia com valorização de 1,46%, cotada a R$ 139,00 o lote de mil.
A Bovespa terminou a tarde com ligeiro ganho de 0,02%. O volume somou R$ 2,027 bilhões, apenas R$ 462 milhões referentes ao exercício de opções. O índice futuro, negociado na BM&F, subiu 1,04%.
Hoje, o mercado continuará atento à volatilidade em Nova York. Afinal, o DJIA ontem chegou a cair 70 pontos, para se recuperar à tarde. Esta atenção será redobrada sobretudo porque hoje acontece a reunião do comitê de mercado aberto (FOMC) do Federal Reserve, quando será decidido se os juros ficam estáveis, ou não, nos EUA. Grande parte dos dealers ouvidos pela AP-Dow Jones aposta na estabilidade. Mas como o mercado doméstico ainda tem em sua memória recente os tombos ocorridos em julho, é possível que a cautela seja a principal características das bolsas brasileiras hoje.
O mercado de renda fixa começou a semana ainda alheio aos altos e baixos do Dow Jones. Operou praticamente o dia todo com seus juros futuros no ajuste, ou seja, praticamente estáveis, caindo um pouco ao final, mais pela força de um pequeno grupo de investidores. A liquidez, contudo, foi muito pequena. Os negócios fracos sinalizam que o mercado está à espera da decisão do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, amanhã, sobre se a taxa de juro básica norte-americana deve subir ou não.
A decisão, qualquer que seja ela, será certamente considerada por aqui pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne amanhã para definir a TBC e a Tban de setembro, taxas consideradas piso e teto do juro, respectivamente.
Sobre a taxa dos EUA, as expectativas são de estabilidade. Será uma surpresa se o Fed resolver puxá-la, disse um experiente analista. Esta previsão alimenta também a aposta de que a TBC e a Tban permanecerão onde estão desde abril, 1,58% e 1,78%. O fato de o diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes, ter dito na semana passada que os sinais sobre o comportamento da atividade econômica ainda não são claros também está na base da expectativa de manutenção da TBC. Mas o mercado tem como certa a rota de queda dos juros num prazo um pouco mais longo.
A cotação do dólar comercial chegou ao teto da intrabanda cambial ontem, batendo R$ 1,0910 na máxima do dia. No encerramento dos negócios, o comercial subia 0,29%, cotado a R$ 1,0905. Já os mercados futuros tiveram um dia tranquilo, fechando estável no vencimento setembro e em ligeira baixa nos meses seguintes. Operadores atribuem a alta do comercial à redução do ingresso de dólares nos últimos dias.


