Agência Estado
De São Paulo
A Bolsa de Nova York despencou nesta terça-feira (-3,17%) arrastando as demais bolsas internacionais. O índice Dow Jones operava em queda de 328 pontos às 18 horas, quando os pregões se encerravam aqui. Na esteira de Wall Street, a Bolsa de Londres caiu 3,81%; a de Paris, -4,15%; e a de Frankfurt, -2,43%.
Mercado de ações no Brasil acompanhou ‘tombo’ de Nova York e registrou maior queda em um ano. Moeda norte-americana também disparou
Na Bolsa de Valores de São Paulo, houve um movimento de quase pânico. O índice da carteira teórica paulista levou um tombo de 6,37%, para 15.851 pontos, a mínima pontuação do dia. Foi a maior queda da bolsa paulista desde 14 de janeiro de 99, logo após a mudança do regime cambial brasileiro.
O volume financeiro em São Paulo somou R$ 819 milhões. O Recibo de Telebrás PN despencou 8,10%, para R$ 209,99. Petrobras PN derreteu 5,95%, cotada a R$ 442,00. Segundo operadores, a forte presença de investidores pessoas físicas nos pregões, desabituados a oscilações mais dramáticas, acabou por detonar um forte movimento de vendas nesta terça-feira.
Não houve propriamente fatos novos que justificassem este esboço de histeria mundial; apenas permaneceu o temor de uma elevação dos juros nos EUA, antes mesmo da reunião do Fomc, em 1º e 2 de fevereiro. A única notícia referente ao Fed foi o fato de o presidente Bill Clinton ter nomeado Alan Greenspan para o 4º mandato frente ao BC norte-americano. A nomeação era esperada mas, à procura de pretextos, o mercado também lançou mão deste para derrubar o mercado.
O medo da alta dos juros foi tamanho que, das cerca de 50 ações que compõem o Ibovespa, apenas seis fecharam em alta. Na lanterninha do índice estiveram ações que subiram muito nos últimos dias de dezembro, como Embraer ON (-11,14%) e Inepar PN (-10,01%).
O Banco Central voltou a intervir no mercado de câmbio na tarde desta terça-feira, vendendo dólares quando a cotação da moeda norte-americana atingia R$ 1,8600 e subia 2,14% em relação ao fechamento de ontem. A atuação do BC surtiu resultado. No encerramento dos negócios, o dólar registrava alta de 1,87% e era negociado a R$ 1,8550.
Pelo segundo dia consecutivo, o mercado de câmbio teve um dia agitado em consequência da expectativa de alta dos juros internacionais, principalmente nos EUA, que resultaram na forte queda das bolsas de valores. Juros mais altos lá fora representam possibilidade de redução do fluxo de capitais para o Brasil, além do encarecimento da dívida brasileira no exterior.
‘‘As bolsas despencaram, não houve fluxo positivo no câmbio e o dólar tinha mesmo que disparar’’, comentou um operador. Ele observa que havia um espaço para o dólar subir, tendo em vista que em dezembro as cotações foram empurradas para baixo com antecipação de ingresso de recursos no País, com a melhora das exportações e também com as atuações frequentes do BC no mercado. Antes de ontem, por exemplo, a última vez em que o BC havia vendido dólares fora no dia 27 de dezembro. A atuação de ontem do BC foi no final da tarde, quando o mercado já apresentava baixa liquidez.