A renúncia do secretário de Inteligência de Estado da Argentina, Fernando de Santibanhez, aliviou momentaneamente o mercado doméstico, que vinha usando as denúncias contra o amigo de Fernando de La Rúa como pretexto para evitar as compras. Antes da notícia, o Ibovespa atingiu a mínima de -2,39%; depois da renúncia, chegou a subir 0,48%. Mas a bolsa não se sustentou e fechou em baixa de 2,13%, com volume financeiro de R$ 479 milhões. Pior desempenho teve o Ibovespa futuro, que levou um tombo de 3,29%, para 14.720 pontos.
A aderência a Nova York foi tênue, mas existiu. Tanto que a Bovespa acentuou a queda à tarde, quando a Nasdaq cortava seus ganhos. A bolsa eletrônica americana fechou em alta de 1,89%, ante a máxima de +3,41%. O índice Dow Jones subiu 0,82%. Operadores creditaram o desempenho ruim do mercado paulista também à alta do preço do petróleo. O barril para entrega em novembro avançou US$ 0,84 para US$ 33,75 na Nymex.
Independentemente da razão de ontem, o fato é que a Bovespa só se ‘‘linka’’ na catástrofe da hora. Presta atenção na Nasdaq, quando esta derrete; acompanha o Dow Jones, quando a velha economia titubeia; enfatiza o petróleo, a qualquer revés no Oriente Médio; e joga pal de cá na Argentina, quando lá surgem dificuldades políticas. O saldo das desgraças seletivas acabou sendo bastante ruim: na semana, a Bovespa perdeu 5,56%; no mês, o tombo já é de 8,78%.
De novo no olho do furacão, a Argentina, desta vez, não poupou nenhum dos mercados. O segmento de juros, que nos últimos dois dias não acompanhava no mesmo passo a bolsa e o câmbio, desta vez foi levado pela maré pessimista que se abateu sobre todos. Os juros futuros subiram bastante, assim como as taxas de negociação dos títulos prefixados do Tesouro no mercado secundário.
O dólar comercial disparou ontem no mercado à vista por causa do agravamento da crise político-econômica na Argentina. Com o avanço de 0,48% no dia, o preço do comercial atingiu no fechamento R$ 1,886, patamar mais alto desde 1º de dezembro passado (de R$ 1,9120). Na semana, o comercial valorizou-se 0,75% e, no mês até o momento, subiu 2,22%. Neste ano, o ganho acumulado pelo comercial está em 4,66%.
Informações desencontradas no início do dia sobre a situação argentina aumentaram as incertezas no mercado, causando nervosismo e muita procura por dólar para hedge. Por volta das 15h50, quando a Bovespa ensaiou ligeira recuperação, o dólar reduziu seu ganho mas logo em seguida engatou trajetória ascendente, por causa da intranquilidade predominante no mercado em relação à Argentina.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)

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