Bolsa cai 21% em menos de um mês
Agência Folha
De São Paulo
Mais uma vez sob influência das Bolsas norte-americanas, a Bovespa fechou ontem em baixa de 3,12%. O Dow Jones registrou queda de 0,86%, e o Nasdaq, de 2,30%. Além do desempenho negativo nos EUA, a divulgação do déficit na balança comercial norte-americana que atingiu o recorde de US$ 29,2 bilhões em fevereiro também deixou os investidores da Bolsa paulista preocupados.
A grande dúvida do mercado é descobrir até onde vai essa desvalorização. O Ibovespa, que no dia 27 de março havia atingido a marca recorde dos 18.951 pontos, fechou ontem em 14.926 pontos. Isso quer dizer que, em menos de um mês, as perdas já são de 21,24%.
Ontem, apenas 6 das 44 ações que compõem o índice fecharam em alta, sendo que a maior valorização, dos papéis da Telesp, foi de apenas 2,14%. Na opinião de Wagner Soares de Andrade, da Supra Corretora, o preço de algumas ações está interessante, mas o investidor precisa ter muita cautela na hora de tomar alguma decisão, pois a volatilidade do mercado ainda é forte. Isso quer dizer que os papéis podem, no curto prazo, tanto proporcionar grandes ganhos quanto grandes prejuízos.
Segundo Cláudio Maurício, da Planner Corretora, também influenciou os negócios a expectativa confirmada horas depois do fechamento do pregão de que o Banco Central iria manter as taxas de juros em 18,5% ao ano. No mercado de câmbio, o dólar comercial voltou a subir, fechando em R$ 1,775 (compra) e R$ 1,777 (venda), alta de 0,74%.
Para José Roberto Leme Ferraz, da corretora Safic, a alta de ontem foi um ajuste, para corrigir a queda de 0,79% que a moeda dos EUA sofreu no dia anterior. Além disso, também colaborou a desvalorização registrada pelas Bolsas norte-americanas
SuspiroO diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse que a melhora nas Bolsas norte-americanas, anteontem, foi apenas um suspiro, mas que não revela se a crise foi superada. Se foi um suspiro de morto ou de vivo, ainda não sabemos, disse. Para ele, o fato mais positivo nas turbulências recentes é não ter ocorrido uma crise de crédito que levasse à quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos.
Segundo ele, instituições norte-americanas tomaram empréstimos para aplicar recursos nas Bolsas e, em tese, uma queda pronunciada das ações poderia levar à inadimplência no sistema financeiro.
Felizmente isso não ocorreu, até porque nos Estados Unidos há regras muito rígidas para limitar a alavancagem (capacidade de se endividar) dos bancos, disse.





