Bolivianos vão receber US$ 120 milhões do Brasil
Fernando Henrique Cardoso afirmou que o mercado brasileiro para o gás boliviano deverá ampliar-se notavelmente. A frase funcionou como uma espécie de senha para o governo boliviano, que aguarda com ansiedade que o Brasil anuncie novos investimentos no setor.
Hoje, durante viagem a Santa Cruz de La Sierra, na segunda etapa da visita à Bolívia, FHC e seu colega Hugo Banzer deverão assinar a Declaração de Tarija, um memorando de entendimentos que prevê o balizamento futuro dos projetos nas áreas de gás, de termeletricidade e de petroquímica. Somente com gás, os bolivianos devem receber US$ 120 milhões por ano do Brasil, mas querem vender cerca de US$ 500 milhões ou pouco mais de 6% do seu atual PIB (Produto Interno Bruto).
Hoje, o gasoduto Brasil-Bolívia transporta menos de 10 milhões de metros cúbicos/dia de gás. Com a construção de termelétricas e da ampliação do parque industrial brasileiro movido a gás ao longo dos próximos anos, a proposta brasileira é importar 40 milhões/dia até 2004.
O atual contrato, no entanto, só prevê que o gasoduto chegue a 30 milhões/dia em 2004 volume que os brasileiros esperam antecipar para 2003. Os bolivianos declaram que vêem com bons olhos a venda de mais gás ao Brasil, mas querem manter os atuais preços acertados em contrato. O Brasil, por sua vez, quer ter preços mais competitivos devido ao volume a ser contratado. Os bolivianos também querem vender gás, mas com valor agregado. Ou seja, não somente a matéria-prima, como fizeram com suas jazidas de estanho durante anos no século passado. Por isso, querem que sejam finalizados o quanto antes estudos para a instalação de um pólo petroquímico que aproveite os resíduos e a parte liquefeita do gás explorado próximo à fronteira com o Brasil.
Esse pólo poderá ser instalado na cidade de Corumbá (MS), a mais próxima da fronteira da Bolívia.
Os presidentes também conversaram, reservadamente, a respeito de investimentos na integração física dos dois países. Segundo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Lafer, um dos temas pontuais foi a construção de rodovias. Em princípio, uma delas ligaria Santa Cruz de La Sierra a Puerto Suarez (as duas cidades na Bolívia) e, depois, a Corumbá (MS). A outra poderá conectar Santa Cruz de La Sierra a San Matias (também na Bolívia) e, depois, a Cuiabá (MT). Os projetos permitiriam a conexão da Bolívia com o Oceano Atlântico.(Das agências)





