Bolivianos protestam contra exploração do gás natural
La Paz - Um grupo de índios bolivianos da região de Chaco percorreu 1.500 quilômetros durante 40 dias para chegar a La Paz para protestar contra as atividades de exploração de gás natural da Petrobras no país. O grupo exige que o governo cancele o contrato com a Petrobras para produzir gás em San Alberto.
O grupo de Chaco juntou-se a mais 1.300 manifestantes em La Paz, liderados pelos sindicatos de trabalhadores, que são contra o referendo de domingo, que irá decidir como a Bolívia irá usar suas reservas de gás natural. Os manifestantes exigem a nacionalização do mais importante recurso natural do país.
A Bolívia abriu seu setor de energia ao investidor privado na década de 1990 e a Petrobras assumiu um papel de liderança na exploração e produção, refino e transporte do gás natural boliviano. A Petrobras descobriu em San Alberto e San Antonio as maiores reservas de gás natural de país. Desde 2001, a Petrobras processa gás natural de San Alberto numa refinaria com capacidade de produção de 6,6 milhões de metros cúbicos por dia. A companhia brasileira também controla o gasoduto Brasil-Bolívia de 3.150 quilômetros inaugurado em 1998.
Embora alguns manifestantes exijam a total nacionalização do setor de energia do país, há outros que defendem a elevação dos royalties para exploração das reservas de gás pagos pela Petrobras, Repsol-YPF e Total SA. Atualmente, essas companhias pagam 18% de royalties sobre a produção de San Alberto, localizado no sul do estado de Tarija.
Além de dar legitimidade a projetos futuros de gás natural, tal como a criação de um complexo petroquímico binacional com o Brasil e um novo gasoduto para a Argentina, o referendo de domingo é a primeira oportunidade para os bolivianos mostrarem seu apoio ou rejeição às políticas do presidente Carlos Mesa - que assumiu a presidência de forma interina depois que Gonzálo Sánchez de Lozada renunciou em outubro do ano passado em meio a violentos protestos.
A onda de protestos que levou à renúncia e Sanchez de Lozada foi desencadeada pela proposta de um projeto de US$ 5,2 bilhões para exportar gás boliviano para os EUA e o México através de um gasoduto que desembocaria na costa do Chile. A maioria dos bolivianos se opôs fortemente à rota no Chile por causa do ressentimento que data do final do século 19, quando a Bolívia perdeu sua saída para o Pacífico numa guerra contra o Chile.





