Bois serão sacrificados só se Justiça autorizar
Desde dezembro, a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), foi transformada no palco de uma grande discussão técnica, política e sanitária. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) confirmou a febre aftosa em 209 cabeças do rebanho, o governo do Estado optou pelo sacrifício sanitário dos bovinos, mas uma liminar da Justiça Federal impede a matança. E o pecuarista André Carioba Filho afirma que o seu rebanho só será sacrificado se a Justiça autorizar.
''Vamos continuar defendendo nossos direitos judicialmente'', salientou Carioba. Ricardo Jorge Rocha Pereira, advogado do pecuarista, afirma que o Mapa pode até comprar as 1.795 cabeças para dar a destinação que achar adequada. ''A Fazenda Cachoeira foi confirmada como foco porque o ministério quis'', avaliou.
Eles também fazem questão de frisar que não estão brigando por valores de indenização. Na semana passada, uma comissão formada por técnicos do Mapa e da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) avaliou todo o rebanho em R$ 1.285.000,00.
''Ninguém nos falou o que vai acontecer com o Paraná se concordarmos com o extermínio dos animais. Será um efeito dominó com a instituição de focos em outras propriedades'', salientou o advogado. Na opinião de pecuaristas e veterinários que estiveram na Redação da Folha, a ''resistência'' de Carioba é ''um exemplo'' para toda a categoria. ''Ele (Carioba) é um fator de luta para a pecuária. Está agindo a serviço de toda a produção da bovinocultura do Paraná'', disse o pecuarista Alexandre Turquino.
Os pecuaristas ainda afirmaram que estão sendo pressionados por setores da cadeia produtiva bovina para concordarem mais rapidamente com o sacrifício dos bovinos. ''Eles nos dizem que vamos continuar perdendo mais, que vão fazer baixar ainda mais o preço da arroba'', afirmou José Antônio Fontes. Amanhã, o advogado de Carioba irá impetrar na Justiça Federal a ação principal pela manutenção da liminar que impede o abate. ''O ministério terá que provar que há foco'', disse.
Segundo Pereira, as 1.795 cabeças não apresentam qualquer sintoma de febre aftosa e todos os exames Probang (que isola o vírus) deram resultado negativo. ''Todo o gado da Cachoeira fica confinado. Não há justificativa para a doença ainda não ter aparecido'', comentou. O coordenador do curso de Veterinária do Cesumar (Maringá) Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal, acrescenta que até 180 dias após uma infecção o vírus permanece nos tecidos linfóides do animal. ''Mas depois de dois meses o índice de infectividade cai drasticamente'', afirma.





