Boicote a postos não atinge objetivos
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Donos de postos de combustíveis de Londrina entrevistados pela Folha não registraram queda nas vendas em função do boicote, que deveria ocorrer ontem. O movimento havia sido conclamado por e-mails não assinados que invadiram os computadores, como protesto contra os altos preços praticados na cidade. Cerca de 20 donos de postos foram entrevistados pela reportagem pessoalmente ou por telefone. Muitos deles afirmaram que a única anormalidade registrada foi um aumento significativo na venda de combustíveis anteontem. ''Na quarta-feira, vendi 20% a mais'', informou o gerente do Posto Avenida, Dirceu Faquim.
Um outro dono de posto que não quis se identificar disse que vendeu 25% acima do normal na quarta-feira. Segundo o empresário, o problema dos preços dos combustíveis está centrado na grande quantidade de impostos cobrados em cada litro comercializado: ''Os donos de postos não têm margem de lucro superior a 10 ou 12%. O problema não são os postos, mas os cerca de 80% de impostos cobrados.'' Ele disse ainda que um dos motivos que faz com que os preços dos combustíveis praticados em Londrina sejam maiores que o de algumas cidades da região são os custos fixos dos estabelecimentos superiores aos praticados em pequenas cidades.
Quanto à diferença entre os estabelecimentos locais e os de Curitiba, ele alega que a capital recebe o combustível por gasoduto, eliminando custos com frete e a relação veículo/posto é de 7 mil para cada estabelecimento. Em Londrina, afirma ele, é de 1 mil veículos por posto.
Ademir Copo, do Posto Santo Expedito, também afirmou que o movimento foi dentro do normal durante todo o dia. No Posto Vitorino, a informação do gerente Leandro Bueno da Silva era de que as vendas, ontem, foram surpreendentes. ''Até às 15 horas vendemos 20% mais do que em outros dias'', avaliou.
Wilson Tayama, gerente do Posto Morishita, disse que a manifestação visando a redução nos preços deveria ser dirigida ao governo: ''Todos reclamam do posto, mas nós temos margens reduzidas de lucro. O preço do combustível chega caro para nós.''
Antonio Pereira da Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas, entidade que havia manifestado apoio ao boicote, afirmou que 90% dos taxistas aderiram ao movimento. ''Os taxistas abasteceram o carro ontem (onteontem) o suficiente apenas para trabalhar hoje (ontem)'', afirmou, acrescentado que o sindicato sempre dará apoio a manifestações contra os preços abusivos dos combustíveis.


