Com a desvalorização cambial, aumentou a procura pela compra de boi gordo e pelo gado de reposição, um indicativo que o produto voltou a ser um ativo financeiro atraente, como era no período da inflação. Por outro lado, pecuaristas de países como Bolívia, Paraguai e Uruguai estão se voltando para o mercado brasileiro, aquecendo leilões e praças de venda de boi gordo. Com a moeda valorizada em relação ao real, eles estão aproveitando o momento de investir, comprando genética de criadores brasileiros.
O aquecimento do mercado foi confirmado pelo leiloeiro Paulo Horto, diretor da Programa Leilões, uma das maiores leiloeiras do país, com sede em Londrina. Com a instabilidade da moeda e insegurança da economia, o boi gordo é um dos ativos que tem mais liquidez quando se fala em investimentos, superando até mesmo o dólar, disse o leiloeiro. ‘‘Isso porque além de não perder dinheiro, o pecuarista consegue dobrar o investimento em um ano com o crescimento do animal’’, justificou.
Desde a desvalorização cambial a cotação do boi gordo variou 10%, passando de R$ 27,00 a arroba, para R$ 30,00. Já o preço do bezerro variou 15%. Segundo Horto, a venda de genética também está aquecida com a entrada de criadores do Mercosul, atraídos pela valorização de suas moedas em relação ao real. Só a Programa está trazendo uma comitiva de criadores bolivianos que vêm comprar animais na Exposição de Londrina, que acontece no mês que vem. Também está programando um leilão de gado brasileiro em Santa Cruz de La Sierra, que será realizado em setembro.
O cenário favorece os pecuaristas que estão vendendo apenas pequenos lotes de boi gordo, na expectativa de melhorar a relação de troca na compra do gado de reposição, disse o técnico da Secretaria da Agricultura, Adélio Borges. De acordo com o técnico, historicamente a venda de um boi gordo era suficiente para a compra de 2,4 bezerros. ‘‘Atualmente, um boi gordo está repondo 2, bezerros’’, comparou.
Considerando que as pastagens estão boas, com os animais ganhando peso a campo e que a oferta de gado de reposição aumenta a partir de abril, certamente o pecuarista vai vender somente o necessário até lá, raciocinou Borges. Com isso, o mercado está favorável ao pecuarista, mesmo com a crise econômica e o desemprego que reduziu a demanda de carnes e proteínas. Borges lembrou ainda que os frigoríficos, por sua vez, não pararam de comprar apesar da redução de consumo. Eles estão fazendo estoques para exportar carne e a previsão é que este ano as exportações aumentem 40%.Arquivo FolhaPaulo Horto, da Programa, diz que queda do real atraiu compradores de países vizinhosVânia Casado

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