Boi gordo tem alta de 10% em 30 dias
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sábado, 09 de novembro de 2002
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
A retração na oferta do boi gordo elevou o preço da mercadoria, que atingiu R$ 58,00 por arroba a prazo, ontem, no Paraná. A valorização é de 10% nos últimos 30 dias, de acordo com o médico veterinário Adélio Borges, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento. Em São Paulo, a arroba do boi gordo chegou a R$ 60,00. Por causa da alta, a carne subiu 26% no varejo no último mês.
A diminuição da oferta resulta da venda dos animais que estavam em confinamento. Na região Centro-Sul do Estado, onde há pastagens de inverno, os bois foram comercializados para dar espaço ao plantio da safra de verão.
O analista de mercado Fabiano Ribeiro Tito Rosa, da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), confirma a escassez do produto. ''Acabou o confinamento e a seca atrasou a entrada dos animais no pasto'', analisou. Como as empresas que possuem contratos de exportação precisam comprar a mercadoria para cumprir obrigações, deve haver novas altas. A oferta deve se normalizar apenas no final de dezembro.
Para José Soares Cardoso Neto, criador em Londrina, o preço atual é bom, mas precisaria atingir a média de U$ 17 registrada em novembro do ano passado. Em valores reais, a arroba do boi gordo foi cotada a U$ 15 ontem. No mesmo período de 2000, o preço praticado era de U$ 20,75.
Ele tinha animais confinados mas vendeu por causa do custo de manutenção. ''A ração é muito cara, não dá para manter o confinamento'', disse o criador, que alcança lucro de 25% a 30% na atividade. Apesar da boa margem, Cardoso Neto reclama do custo de produção, que subiu 50% desde que o dólar disparou. Ele paga R$ 400,00 por bezerro e gasta R$ 150,00 para engordá-lo em um ano e meio. Cada boi rende seis arrobas por ano.
Consumidor prejudicado - O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, não acredita que esteja faltando boi.''Os produtores estão segurando porque esperam que o preço melhore'', comentou. Para ele, o grande prejudicado dessa conjuntura é o consumidor, que já paga 26% mais caro pela carne. ''Se continuar aumentando, o consumo pára'', avaliou, lembrando que o consumidor ainda está comprando carne de boi porque o frango também está caro.


