O número de bois colocados em confinamento durante a entressafra deste ano deverá ser 12,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, cerca de 800 mil cabeças, segundo primeira estimativa de engorda intensiva realizada pela FNP Consultoria. Segundo o levantamento da FNP, 5,015 milhões de cabeças de gado serão colocadas em confinamento, semi-confinamento e pastagens de inverno a partir de junho até o final do ano ante 4,46 milhões de cabeças em 1999.
Das 5,015 milhões de cabeças que deverão ser colocados em engorda intensiva nesta entressafra, 1,75 milhão irão para confinamento, 1,95 milhão irão para semi-confinamento e 1,3 milhão de cabeças irão para pastagens de inverno. O aumento da procura por confinamento é confirmada por confinadores.
Segundo Francisco Salles, da F. Salles Comercial Agropecuária, de Araçatuba, este ano foi preciso dobrar os turnos de confinamento para atender a demanda dos pecuaristas. Salles tem confinamento próprio e também de aluguel, onde este ano irá colocar 15 mil cabeças de gado.
José Vicente Ferraz, analista da FNP Consultoria, explica que, no início do ano, a expectativa era de que os confinamentos iriam cair devido ao aumento expressivo no custo da alimentação, como farelo de algodão, farelo de soja, milho e sais proteinados. Porém, segundo ele, a seca e a expectativa de que os preços deveriam chegar perto de R$ 50 por arroba no pico da entressafra fez muitos pecuaristas decidirem por confinar.
‘‘Isto explica porque uma maior oferta de bois esperada para junho não aconteceu apesar dos pastos estarem bastante secos’’, disse. Ao contrário do que era esperado, os pecuaristas preferiram confinar os animais e não vendê-los no mercado.
Ferraz afirma que esta estratégia poderá provocar uma reversão de tendência inicial já que um número maior de bois disponíveis no pico da entressafra, fruto do confinamento, fará com que os preços não atinjam os patamares de alta desejados. Os contratos futuros de boi negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) já apontam esta tendência. Enquanto o contrato com vencimento em junho subiu 4% nos 9 primeiros dias de junho, os contratos de outubro e novembro - que refletem o pico da entressafra - subiram, respectivamente, 1,5% e 1,3% no mesmo período.
A seca que atingiu o Centro-Sul do País este ano está sendo o principal fator de impulso à engorda intensiva nesta entressafra, segundo Francisco Salles, proprietário da F. Sales Comercial Agropecuária. Segundo ele, muitos pecuaristas decidiram confinar seus animais por absoluta falta de pasto.
Para Marcos Mantelato, diretor da Ballman Nutrição Animal e diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Abrasam), a seca levou muitos pecuaristas que não iriam confinar a serem obrigados a buscarem confinamentos, principalmente os chamados ‘‘boitéis’’, os confinamentos de aluguel. Segundo ele, o fato dos pecuaristas estarem segurando o boi no pasto na procura por melhores preços pode ser confirmada no aumento das vendas de suplementos mineirais e suplementos proteicos neste mês.
Segundo dados da Abrasam, as vendas de suplementos minerais subiram 10% em relação ao mesmo período do ano passado e os suplementos proteicos tiveram suas vendas elevadas em 20%. Estes suplementes são utilizados como complemento alimentar para o boi de pasto. Mantelato não acredita, contudo, que este aumento dos confinamentos de aluguel caracterize um aumento geral de bois disponíveis durante a entressafra. Segundo ele, os pecuaristas que estão segurando seus animais neste momento não manterão os bois durante toda a entressafra e deverão realizar desovas entre julho e setembro.
’’Os custos de produção subiram muito’’, disse. Se confirmado, esta maior desova entre julho e setembro irá provocar, de fato, uma maior disponibilidade de boi que poderá provocar uma retração de preços durante a entressafra.
Para Salles, que realiza confinamento próprio e confinamento de aluguel, a falta de pasto e uma queda estimada em 15% na produção de volumoso fará com que a redução do boi de pasto disponível se equilibre com o aumento dos confinamentos, mantendo os preços equilibrados. Salles teve que dobrar os confinamentos deste ano devido à forte procura. Segundo ele, o confinamento será realizado em dois turnos, um de 10 de junho até 10 de setembro e outro de 10 de setembro até 10 de dezembro, quando geralmente ele realiza apenas um turno. Serão confinados em sua fazenda 15 mil animais e as vagas de Salles estão praticamente esgotadas. Salles cobra uma diária de R$ 1,85 para cada animal confinado, um preço 23% superior ao cobrado no ano passado, de R$ 1,50.

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