Boi deve ser vendido no gancho e à vista, sugere José Eduardo
Os preços do boi gordo se mantêm basicamente estáveis, com exceção dos estados de São Paulo e Minas Gerais, onde a pressão dos frigoríficos fez com que os preços recuassem em média R$ 0,50/arroba.
Esta análise da FNP Consultoria & Comércio, no meio da semana, sugere que a queda-de-braço entre fornecedor e indústria continua no Estado de São Paulo, e que os preços podem ser mantidos sob pressão mesmo em tempo de escassez de boi gordo, como agora, em que deveria prevalecer a lei da oferta e procura. Há quem afirme que as relações entre pecuarista e frigorífico ainda são permeadas por indisfarçável desconfiança.
A pressão sobre os preços e a anunciada união entre os dois maiores frigoríficos - Bertin e Friboi - acabam estimulando discussões em torno das relações entre frigoríficos e pecuaristas.
Sobre os gargalos que persistem no mercado, o repórter procurou quem já passou pelo governo e faz parte do setor como pecuarista: o ex-ministro da Indústria e do Comércio e da Agricultura, senador José Eduardo de Andrade Vieira, diretor-superintendente deste jornal. Foi quando ele estava no Ministério da Agricultura que aconteceram os primeiros passos para organizar o setor, através de medidas para regular o transporte e a implantação da desossa e embalagem da carne, adotadas por algumas das grandes redes de varejo como o Supermercado Carrefour. Porém, a evolução nessa direção tem que ser gradual e a próxima etapa seria a qualificação de carcaça, segundo José Eduardo.
O empresário considera pelo menos quatro pontos importantes para fazer o mercado evoluir:
1) Os pecuaristas devem vender seu boi no gancho (peso-morto) ao invés de pesar na fazenda. A venda em pé, com pesagem na fazenda, implica em perdas que vão de 10 a 20 kg de peso por cabeça, em animais da faixa etária entre 2,5 e 3 anos. Se o produto é confinado a perda é ainda maior. O frigorífico não paga mais que 53% de rendimento (rendimento aproveitável de peso-vivo) para um boi terminado a pasto e 54% para o confinado que, dependendo da raça pode alcançar o percentual de 56% ou até mesmo 57%. José Eduardo reconhece, no entanto, que a pesagem na fazenda, em alguns casos, decorre da falta de confiança: o pecuarista desconfia da balança e do corte.
2) As vendas têm que ser à vista. As operações com 30 dias de prazo não são interessantes nem mesmo para os próprios frigoríficos. Eles pagam o boi a prazo e vendem a carne com seis a oito dias. Se, no período, o mercado sofrer alta de impacto, as perdas são grandes e pode haver problema com o frigorífico que acaba respingando em quem vendeu o boi para ele. Na venda à vista os riscos são minimizados ou eliminados. Não adianta vender com 30 dias por causa de um real por arroba.
3) É necessário implantar a qualificação de carcaça - que existe há quase 50 anos nos EUA e EU. Com essa medida muitos pontos de conflitos podem ser eliminados. Além de contemplar o fator qualidade e atender uma expectativa do consumidor.
4) Vistoria e aferição periódica das balanças pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) como instrumento para resgatar a confiança entre compradores e vendedores.





