Boi alavanca negócios futuros
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quarta-feira, 05 de outubro de 2005
Mauro Zafalon<br> Folhapress 
São Paulo - Os negócios com boi gordo atingiram o volume recorde de 48,6 mil contratos no mês passado na Bolsa de Mercadorias & Futuros. Com isso, as negociações totais do setor agropecuário na BM&F alcançaram, pelo segundo mês consecutivo, volume próximo de 120 mil contratos. Em setembro, foram 119 mil, 0,8% menos do que o recorde de agosto. As negociações no setor agropecuário somaram 781 mil contratos no mês passado, movimentando US$ 7,3 bilhões.
Mirlaine Mello, da corretora Ágora Senior, diz que a maior atração nesse mercado no momento vai para o boi. E há dois motivos básicos: um macro e um pontual. Como macro, ela define a profissionalização do setor. Os frigoríficos começam a montar mesas de operações e os pecuaristas estão cada vez mais interessados nesse mercado.
O dado pontual, segundo Mello, foi a volatilidade dos preços nos últimos meses. O produto caiu muito e começa a se recuperar, o que trouxe os frigoríficos para fazer hedge (proteção cambial).
O setor teve várias quebras de limites de alta (existem limites máximos e mínimos de oscilação de 3% nos preços do dia), o que atraiu novos especuladores para o mercado. ''Volatilidade chama liquidez e liquidez chama volatilidade'', diz Mello.
Para ela, essa atração pelo contrato de boi gordo é tão grande que houve a migração de negociadores do café para esse mercado. Essa migração se deu porque o café está sem novidades, tanto interna como externamente. Félix Schouchana, diretor de mercados agrícolas da BM&F, concorda que o boi explica os bons volumes de negócios do mercado agrícola. Ele destaca, porém, outros produtos que tiveram ampliação nas negociações.
Um deles é o milho. Sem a concorrência de Chicago ou de Nova York, o produto começa a ganhar a participação das cooperativas. Neste ano, foram negociados 69 mil contratos, 70% a mais do que em igual período de 2004.
No mercado externo, a carne bovina brasileira é um sucesso. No acumulado entre janeiro e agosto deste ano, o Brasil vendeu US$ 2,164 bilhões em carne bovina e miúdos ao Exterior, 32,7% a mais que o total de US$ 1,631 bilhão dos oito primeiros meses do ano passado. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou US$ 69 milhões em carne bovina para a Argélia, 200% a mais que os US$ 23 milhões de igual período do ano passado.


